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Ex-Agricultura recorda febre aftosa e diz que Carne Fraca é “tragédia para o País”

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2017 12h45
Agência BrasilRoberto Rodrigues - ministro

O ex-ministro da Agricultura José Roberto Rodrigues (2003 a 2006) se mostrou muito indignado com as fraudes no mercado de carne do Brasil, reveladas pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal nesta sexta (17). Rodrigues teme a repercussão internacional das irregularidades e compara a situação atual ao surto de febre aftosa que atingiu o gado da cidade de Dourados (Mato Grosso do Sul) em 2005 e fez com que 47 países suspendessem a compra de carne do Brasil.

Se há mais de 10 anos, houve “um só foco” da febre, “agora, são tantas as localidades envolvidas nesse processo, que não sei a consequência que isso terá sobre o mercado internacional e o comprometimento do Brasil”, compara o ex-ministro do governo Lula. “Temos que aguardar os acontecimentos e ver o que virá dos países compradores”, pondera Rodrigues em entrevista exclusiva à Jovem Pan. Ouça AQUI.

Apesar da cautela, Roberto Rodrigues vê as denúncias de que houve carnes vendidas fora do prazo de validade, reembaladas, com salmonela, aditivos ilegais e cabeça de porco embutida como “uma tragédia”. “O setor de carne no Brasil vinha crescendo no mundo inteiro com competência, com nosso famoso boi verde, de repente um grupo de pessoas desqualificadas produz esse desastre”, classificou. “É um problema sem precedente no nosso segmento”.

“O problema é credibilidade… faltam-me palavras para qualificar ou desqualificar esse desastre. É uma coisa inominável que foi feita. O desastre para o País é enorme. Para o consumidor brasileiro é uma tragédia. Para o produtor correto, é uma tragédia. E para o País, que é o segundo maior produtor mundial de carne, agora colocado numa berlinda dessa por pessoas sem nenhum escrúpulo”, afirmou.

Roberto Rodrigues elogia, no entanto, o “trabalho extraordinário” do atual ministro Blairo Maggi, que disse, também em entrevista à Jovem Pan, que “o Brasil inteiro paga a conta” pela corrupção de alguns.