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Ex-BC: Brasil precisa de ao menos mais um governo comprometido com o ajuste

  • Por Jovem Pan
  • 13/04/2017 09h43
Reprodução/Youtube FecomercioAlexandre Schwartsman - REP - YOUTUBE

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o economista e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, ressaltou a necessidade de reformas e ajuste fiscal no Brasil e relatou preocupação de que a crise política afete a agenda econômica do governo.

Schwartsman reconhece que “está difícil” a aprovação dos ajustes propostos e entende que “o governo começou a ceder muito cedo” na discussão da reforma da Previdência na Câmara. “O governo não está conseguindo articular muito nisso”, critica. O ex-diretor do BC lembra que o órgão aponta como um dos fatores de risco para a taxa de juros e inflação a aprovação ou não das reformas.

A necessidade do ajuste das contas públicas, na visão do economista, é visando ao longo prazo. Ele avalia que a Previdência começará a sentir os efeitos de uma eventual não reforma daqui a “dois, três anos”, e isso poderia comprometer o crescimento do Brasil no longo prazo.

Por outro lado, uma agenda economicamente positiva poderia estabilizar a dívida do País entre 2021 e 2022, entende Schwartsman. “A estratégia que nós escolhemos para fazer um ajuste fiscal, que me parece a única neste momento, é de um ajuste gradual”, afirma o ex-BC.

“Na melhor das hipóteses, precisamos no mínimo de mais um governo comprometido com o ajuste fiscal”, projeta também Schwartsman. Talvez sejam necessários dois governos comprometidos com a reforma, pondera. Ele destaca, no entanto, que isso passa por um processo de normalidade democrática. “Se a população decidir que não quer isso, não será isso. Agora, as consequências serão ruins”, alerta.

“A minha preocupação maior não é tanto 2017 ou 2018, que vão ser anos de crescimento”, explica. “Minha preocupação é como o País vai fazer para se viabilizar nos próximos 10, 20 anos. Sem reforma isso não vai acontecer”

Juros

Alexandre Schwartsman ainda comentou a redução da taxa Selic nesta quarta (12) para 11,25%. Assim como o mercado e a própria projeção do BC, o ex-diretor do banco vê margem para uma maior redução da taxa básica de juros.

“Aparentemente dá para reduzir até mais ou menos 8,5% ainda mantendo a inflação perto de 4,5%, que é a meta”, estima.

“Houve uma queda de juro real importante e deve continuar a acontecer”, diz Schwartsman.

Assista à entrevista completa: