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JBS, um dos símbolos do agronegócio no País, se transformou no pivô da crise

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2017 07h35
Joédson Alves/EFEJoédson Alves/EFEJBS - EFE
BRA111. LAPA (BRASIL), 21/03/2017 - Vista general de la compañía del grupo cárnico JBS Seara en la ciudad de Lapa, estado de Paraná, Brasil, la cual fue inspeccionada por el ministerio de Agricultura de Brasil, Blairo Maggi, hoy martes 21 de marzo de 2017. Según la policía, varias de las principales cárnicas del país, entre ellas JBS y BRF, con la complicidad de fiscales sanitarios corruptos, "maquillaron" con productos químicos carnes que estaban en mal estado y no cumplían con los requisitos para la exportación.EFE/Joédson Alves

A ascensão meteórica da empresa responsável por uma das maiores crises da história da República sempre despertou curiosidade.

A história da JBS começou em 1953, com o açougue A Mineira. Apesar do nome, o estabelecimento ficava na cidade de Anápolis, no interior de Goiás.

O açougue foi fundado por José Batista Sobrinho, o pai de Wesley e Joesley Batista. A empresa só adotou o nome Friboi na década de 90, quando passou a atuar com frigoríficos e passou a comprar várias unidades pelo país. As primeiras exportações vieram em 1997.

Mas o grande salto se deu a partir de 2007, quando a empresa decidiu abrir o capital e mudou o nome de Friboi para JBS.

A sigla faz referência às iniciais do nome do patriarca, José Batista Sobrinho.

Àquela altura, o presidente da companhia já era Joesley Batista, que assumiu o comando dos negócios em 2006.

Foi na gestão dele que a JBS avançou e se internacionalizou. Até 2011, foram várias as aquisições, entre elas a compra da americana Swift.

No Brasil, Joesley capitaneou a aquisição de todas as unidades de abate e industrialização do frigorífico Bertins.

Todos os negócios contavam com o apoio direto do BNDES.

A JBS foi uma das beneficiadas pela chamada política de campeões nacionais do banco, que financiava a expansão de grande grupos brasileiros no exterior.

O sucesso do grupo chamava atenção e a gestão de Joesley Batista era vista como “modelo”.

Em um evento em 2011, durante o auge da companhia, Joesley rasgava elogios ao Brasil e comemorava: “Então, assim, essa chuva de dinheiro que a gente vê no Brasil, o Brasil com essa institucionalização, com essa governança, então, empresas influenciam a economia, a política. A política é reflexo da sociedade como um todo”.

Joesley Batista também passou a ser conhecido fora do setor agropecuário.

O conglomerado presidido por ele é dono das marcas Havaianas, dos produtos de limpeza Minuano e do banco Original.

O sucesso nos negócios conferiu ao empresário bom trânsito no meio político.

Em uma entrevista em 2014, Joesley afirmava que a democracia brasileira estava cada vez mais madura.

Ele e o irmão, Wesley, não concluíram o ensino médio. Também nunca fizeram cursos de gestão de negócios, comuns nos currículos da maior parte dos executivos brasileiros. Tudo o que aprenderam veio dos frigoríficos que administravam.

A JBS é hoje a maior processadora de carnes do mundo e a maior empresa privada em faturamento no Brasil. No mundo, é a segunda maior do setor de alimentos, perdendo apenas para a Nestlé. São 220 fábricas em 20 países, incluindo Estados Unidos e Austrália.

Foi a partir do ano passado que a JBS entrou na mira de operações da Polícia Federal.

O grupo chegou a trocar temporariamente a presidência, em 2016, depois que a Justiça impediu Wesley e Josley Batista de exercerem cargos executivos.

Entre as operações, estão a Greenfield, a Carne Fraca e a Bullish, deflagrada na semana passada e que apura fraudes em aportes concedidos pelo BNDES à JBS.

O Ministério Público Federal chegou a pedir as prisões preventivas dos irmãos Batista, mas as solicitações foram negadas pela Justiça.

Wesley e Joesley estão, atualmente, nos Estados Unidos.

Na delação à Procuradoria-Geral da República, eles relataram estar sendo ameaçados de morte e foram autorizados a deixar o Brasil.

*Informações do repórter Vitor Brown