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Líder tucano: “diferente do PT, PSDB não prega inocência prévia de ninguém”

  • Por Jovem Pan
  • 19/06/2017 11h17 - Atualizado em 29/06/2017 00h44
Jonas Pereira/Agência SenadoAécio Neves e Paulo Bauer

O líder tucano no Senado, Paulo Bauer (PSDB-SC), garante que o partido, que decidiu permanecer na base de apoio do governo a despeito das acusações de corrupção que pesam sobre o presidente Michel Temer (PMDB), não protege políticos envolvidos em escândalo e não assegura a inocência de ninguém.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan nesta segunda-feira, o senador tentou diferenciar as práticas do PT e do PSDB. “A lei foi feita para ser cumprida por todos. Quando há a identificação de um fato ilegal, a justiça tem que ser feita. Ninguém está acima da lei, mesmo que seja do PSDB”, disse.

Para Bauer, o colega afastado do Senado e presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, flagrado pedindo R$ 2 milhões a executivos da JBS, não é protegido. “Diferente do PT, que sempre disse que todos são inocentes, nós não estamos pregando e nem anunciando a inocência prévia de ninguém. O Aécio tem que se entender com o Judiciário. O PSDB não está se envolvendo nessa questão e nem, tampouco, está declarando a inocência dele ou a culpa dele por qualquer ato”, afirmou.

O senador minimiza, no entanto, as acusações feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista, que gravou Aécio requisitando o dinheiro. “O fato que está sendo colocado contra ele é delatado por um criminoso”, disse. Bauer descreve que Joesley ficou milionário “às custas de favores que recebeu no governo do PT” e nega participação dos tucanos nas propinas.

Isso contraria o depoimento do ex-diretor da JBS Ricardo Saud, que relatou em colaboração premiada ter dado propina a 1.829 candidatos. “Demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP, um do PSD”, declarou Saud.

“No caso do PSDB nós recebemos de fato doações de acordo com a lei, diferente do PT, que recebia dinheiro de corrupção”, sustenta, por outro lado, o senador Bauer. “O PSDB não tem envolvimento com a Petrobras. Não me consta que no PSDB nomes como Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jeiressati, o meu próprio e tantos outros, sejam nomes que pereçam ou estejam envolvidos em alguma suspeita”, atesta o líder no Senado.

Segundo o ex-dono da empreiteira Odebrecht, Emílio Odebrecht, no entanto, a campanha do ex-presidente FHC à Presidência recebeu “vantagens indevidas, não contabilizadas” em 1993 e 1997.

Expulsão da sigla

Em meio a uma disputa interna no partido em relação ao futuro de Aécio Neves, Bauer “não vê a necessidade” que alguém seja sequer investigado na comissão de ética do PSDB “se já houver um processo tramitando no judiciário, na Polícia Federal, no Ministério Público”, que seriam de competência superior.

“No momento em que for condenado pela Justiça, automaticamente será desfiliado do partido”, defende Paulo Bauer.

Assista à entrevista completa:

Governo Temer

Paulo Bauer também defendeu a permanência do PSDB no governo Temer alegando que as reformas econômicas no País devem continuar.

“Como partido político, o PSDB entende que não podemos deixar de atender as necessidades do País. E a necessidade do Brasil hoje é gerar empregos, diminuir a taxa de juros, controlar a inflação, controlar os gastos públicos”, disse.

Bauer relembra que o PSDB assumiu o apoio com o atual governo no momento em que Michel Temer “assumiu interinamente e anunciou que faria um governo sem se preocupar com popularidade, eleição ou coisa parecida”, após o impeachment de Dilma Rousseff, sustentado pelos tucanos.

“Hoje sabemos que existem problemas, novos problemas, mas nós não podemos deixar de atender o nosso compromisso pelo País”, diz. “Até que vejamos as condições políticas viabilizando o governo e até que nós vejamos essas reformas votadas, o PSDB não vai faltar com o País”, reafirmou.

Denúncias contra o presidente

O senador também amenizou as acusações que pesam sobre o presidente Michel Temer, investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça depois de ser gravado por Joesley Batista em encontro não registrado no Palácio do Jaburu.

“Eu não acho nada normal (as acusações contra Temer) e também não acho normal que a Justiça tenha aceito num processo de delação uma gravação feita pela pessoa antes mesmo de fazer a delação”, diz o tucano. “A denúncia que o empresário fez utilizando-se de gravação é objeto de perícia. Não vou me manifestar enquanto não sair o resultado da perícia”, limitou-se.

Sobre o horário do encontro entre Joesley e Temer, 22h30, Bauer não vê problemas. “Eu mesmo já falei com o presidente muitas vezes depois das 23h ou antes das 7h”, conta.

Sobre o ex-assessor indicado por Temer, hoje preso, Rodrigo Rocha Loures (PMDB), gravado recebendo R$ 500 mil em espécie de executivo da JBS, o tucano não vê relação direta com Temer. “O fato de um deputado ter transportado uma mala com R$ 500 mil é muito grave e ele está na penitenciária e vai ter que responder pelo ato que praticou, e vai ter que dizer por que fez isso e para quem estava fazendo, se é que estava fazendo para alguém”, disse.

Bauer não quer “acreditar na conversa do empresário (Joesley)”, de que o dinheiro seria “para chegar na casa do presidente (Temer)”. “Só a polícia e a Justiça podem identificar e confirmar”, afirmou.

“Nós não podemos no Brasil fazer julgamentos apressados de nada. Temos de deixar a Justiça e a polícia trabalhar”, disse o senador Paulo Bauer.