Mortes em unidade penal no PA mostram que sistema prisional enfrenta crise permanente

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2018 06h34
Divulgação/SusipeDe acordo com a socióloga Giane Silvestre, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo, o NEV, o Brasil enfrenta uma crise permanente no sistema prisional e na segurança pública

Mais de um ano após rebeliões violentas marcadas pela morte de detentos e agentes carcerários, o Pará é alvo de um novo motim que terminou com 22 mortos.

De acordo com a socióloga Giane Silvestre, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo, o NEV, o Brasil enfrenta uma crise permanente no sistema prisional e na segurança pública: “uma série de fatores que fazem a gente chegar nesses episódios que têm a ver com superlotação, alto número de presos provisórios, enfim, série de fatores que agravam a situação do sistema prisional”.

A pesquisadora do NEV aponta que o problema da violência nos presídios não é novidade.

No Maranhão, mais de 60 detentos foram mortos em 2013, o que fez o estado ser acionado pela Corte Interamericana dos Direitos Humanos.

Em janeiro de 2017, rebeliões em presídios de Manaus, Roraima e Rio Grande do Norte terminaram com mais de 100 mortes.

Só no primeiro semestre do ano passado foram registrados 565 assassinatos no sistema carcerário brasileiro.

Os dados do Departamento Penitenciário Nacional, o Depen, ainda mostram que o principal motivo é a superlotação dos presídios.

O desembargador Miguel Marques e Silva, ex-juiz corregedor dos presídios de São Paulo, acredita que o Brasil não tem excesso de população carcerária: “essa história de que Brasil é um dos países que tinha população carcerária excessiva é falsa”.

Logo no primeiro dia de 2018, uma rebelião terminou com a morte de dez presos em um presídio de Goiás, e no mesmo mês outros dez morreram no Ceará.

Na semana passada, 21 presos e um agente morreram em uma tentativa de fuga do CRPP três, do Complexo Penitenciário de Santa Izabel.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, colocou a Polícia Federal e a Força Nacional à disposição do Estado, mas o presidente Michel Temer não se pronunciou sobre o assunto.

*Informações da repórter Marcella Lourenzetto