Obesidade entre crianças e adolescentes cresceu dez vezes nos últimos 40 anos, diz estudo

  • Por Jovem Pan
  • 11/10/2017 06h45

Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

A pesquisa põe foco na variante renda; quando maior o poder aquisitivo, mais baixo e estável é o IMC, o índice de massa corporal

O número de crianças e adolescentes obesos aumentou 10 vezes nos últimos 40 anos e se nada mudar até 2022, o mundo terá, pela primeira vez, mais gordinhos do que desnutridos.

A conclusão é de um estudo gigantesco da Organização Mundial de Saúde liderado pelo Imperial College de Londres, que analisou 130 milhões de pessoas.

Foi publicado pela revista The Lancet para chamar a atenção para o Dia Mundial da Obesidade, celebrado nesta quarta-feira (11).

A pesquisa põe foco na variante renda. Quando maior o poder aquisitivo, mais baixo e estável é o IMC, o índice de massa corporal.

Jovens da classe alta de países da europa parecem estar respondendo às políticas de saúde pública preocupadas com a qualidade de vida. Estão sendo informados sobre os perigos da má alimentação, por exemplo. O que não ocorre com os adultos, que estão engordando.

Para a presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, Maria Edna de Melo, está claro que o acesso à informação em qualquer lugar tem feito a diferença: “a questão da informação é determinante para que a gente modifique nossos hábitos, entenda o que estamos comendo. Infelizmente no Brasil as políticas de saúde pública não andam na velocidade com que anda o aumento da obesidade”.

As regiões com aumento absoluto no número de jovens com obesidade foram no leste da Ásia, Oriente Médio e norte da África. Populações que até outro dia passavam fome e, de repente, foram introduzidas a alimentos saborosos, gordurosos, açucarados, industrializados e baratos.

A pesquisa faz relação direta do peso com a urbanização e o crescimento do PIB dos países, porque na conta entra ainda mais dependência tecnológica, menos atividade física e publicidade agressiva de alimentos de baixa qualidade.

E pondera também a resistência da indústria alimentícia. A endocrinologista Maria Edna, da Abeso, cita um exemplo brasileiro do problema mundial, uma proposta de lei que obrigaria o fabricante a acusar no rótulo o grau calórico do alimento, que está parada no Congresso: “como se fosse um carimbo em forma de octógono. Quanto mais octógonos tem, menos saudável ele é”.

No Brasil, quase 60% da população tem excesso de peso. Além de reduzir a qualidade de vida, a obesidade pode predispor a doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, e alguns tipos de câncer.

A OMS, inclusive, aponta a doença como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo.

*Informações da repórter Carolina Ercolin