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PF faz buscas no apartamento do ministro Blairo Maggi

  • Por Jovem Pan
  • 14/09/2017 08h10
Lula Marques/AGPTMinistro de Temer foi delatado pelo ex-vice em Mato Grosso, Silval Barbosa

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Blairo Maggi, ministro da Agricultura,Pecuária e Abastecimento e ex-governador de Mato Grosso. Documentos, um malote e uma CPU de computador foram levados da casa do ministro pela investigação. Logo pela manhã desta quinta-feira (14), os carros da PF cercaram o prédio funcional do Senado Federal na Asa Sul de Brasília, onde mora Maggi, que é senador licenciado. Funcionários e policiais legislativos do Senado acompanharam as buscas da PF.

Nesta operação denominada Malebolge, 12ª fase da Operação Ararath, são cumpridos 64 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux a pedido do Ministério Público Federal. Além das buscas em Brasília, incluindo o apartamento de Maggi, 270 policiais federais cumprem os mandados em São Paulo (capital) e Mato Grosso (cidades de Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Araputanga, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra, Juara, Sorriso e Sinop). A casa do atual prefeito da capital Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), foi alvo das buscas da PF. Escritório de Maggi em Mato Grosso também foi vasculhado pela polícia.

Aliados de Maggi dizem que o ministro cogita deixar a linha de frente do governo de Michel Temer, informa o repórter Jovem Pan José Maria Trindade. Oito ministros de Temer, incluindo Maggi, são investigados no STF apenas em uma das vertentes da Lava Jato, oriunda das delações da Odebrecht.

O ministro Blairoi Maggi foi implicado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que em delação premiada gravou políticos recebendo maços de dinheiro. Emanuel Pinheiro foi um dos gravados, mas negou qualquer ato ilícito. Silval delatou crimes praticados por si mesmo e aliados do Mato Grosso.

Segundo o delator, o atual ministro da agricultura teria comprado o silêncio de um delator. Por R$ 3 milhões que teriam sido pagos em dinheiro vivo, o ex-secretário de Estado de Mato Grosso Éder Moraes mudou depoimento dado à Justiça em 2014. O objetivo da mudança seria inocentar Maggi. “Blairo Maggi concordou em pagar R$ 3 milhões para que Eder se retratasse das declarações”, afirmou Silval Barbosa. Outros R$ 3 milhões teriam sido pagos por Silval. O ex-secretário negou o recebimento ilícito.

Além disso, o próprio Silval relatou que Maggi havia oferecido “ajuda” para que ele não delatasse. A ajuda viria, segundo o delator, por meio do atual governador mato-grossense, Pedro Taques (PSDB), e do senador Wellington Fagundes (PR-MT).

A discrepância nos depoimentos de Éder e dados sobre transferência de dinheiro após a alteração foram analisados pelos investigadores para realizar a busca e apreensão desta quarta.

Silval Barbosa foi vice de Blairo Maggi no segundo mandato deste como governador de Mato Grosso (2007 – 2010) e o sucedeu, comandando o Estado de 2010 a 2014. Silval diz que “herdou” de Maggi um esquema de arrecadação de propina.

As informações são do repórter Jovem Pan em Brasília José Maria Trindade.

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