“Meu nome é Andrea e sou irmã do Aécio Neves”. O ato de se apresentar se fazia necessário porque não é todo mundo que conhece a irmã de Aécio Neves.

No começo de abril, Andrea Neves decidiu divulgar um vídeo nas redes sociais em que contestava reportagem da revista Veja.

O semanário informava naquele mês que um dos delatores da Odebrecht, Benedito Júnior, disse que a empreiteira fez depósitos para Aécio em uma conta que era mantida em Nova Iorque, operada por Andrea.

Emocionada, ela negou categoricamente a reportagem que foi às bancas. “Eu gostaria de poder olhar no seu olho, embora não te conheça, para garantir que isso é mentira e que nós vamos provar”, disse.

Não deu tempo.

Andrea Neves foi presa nesta quinta-feira dentro da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato.

Ela foi detida por suspeitas de que ela tenha pedido dinheiro em nome do irmão ao empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS; ou seja, ela é considerada operadora do esquema.

A jornalista de Belo Horizonte era uma espécie de eminência parda durante a gestão de Aécio no governo de Minas Gerais.

Nascida em 1959, estudou história e se formou em jornalismo.

Começou na administração pública em 1990, quando foi secretária-adjunta de cultura do estado mineiro, na gestão Hélio Garcia.

Ela voltou ao governo em 2003, com a vitória de Aécio ao Palácio da Liberdade, ela comandou o Grupo Técnico de Comunicação até dois mil e dez.

Essa atribuição fazia com que Andrea Neves supervisionasse a assessoria de imprensa de todas as secretarias, de empresas estatais e também cuidasse da imagem do irmão.

A passagem dela por essa função despertou muita polêmica e acusações de que ela jogava duro com os meios de comunicação mineiros.

O documentário "Liberdade, Essa Palavra", do jornalista Marcelo Baêta, contou que o governo mineiro inflava números e pressionava chefias de imprensa dos veículos locais para impedir a divulgação de informações negativas.

Questionada à época, Andrea Neves disse que apenas exerceu as funções de uma assessoria de imprensa.

A irmã de Aécio não aparecia muito e nem dava muitas entrevistas; a maioria das aparições dela eram relacionadas a outra função que exercia no governo: a de gestora dos fundos de solidariedade da administração.

Em 2004, numa entrevista sobre essas iniciativas, Andrea Neves respondeu sobre como era pertencer a uma família de políticos.

Andrea Neves foi transferida no meio da tarde desta quinta-feira para o Complexo Penitenciário Feminino Estêvão Pinto.

A defesa da jornalista diz que o delator se aproveitou de uma relação pessoal que tinha com Aécio Neves como forma de obter benefícios.

Os advogados afirmam ainda que não há motivo para que Andrea fique presa por ser primária, ter bons antecedentes e residência fixa.

*Informações do repórter Tiago Muniz