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Seria “imprudência muito grande” seguir com reforma trabalhista, diz relator

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2017 10h16
Marcos Oliveira/Agência Senado - 03/05/16senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) - ASenado

Nesta quinta-feira (18), o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que é o relator da reforma trabalhista, afirmou que suspenderia a tramitação do projeto na Casa por conta da crise política. Após as delações da JBS que citam Aécio Neves e, principalmente, o presidente Michel Temer, o que corria no Congresso ficou estático.

Em entrevista ao Jornal da Manhã desta sexta (19), o tucano disse que o Parlamento não pode esperar a situação de Temer se normalizar para ver o que seria feito. “Nós não podemos ficar reféns da posição do presidente. Ele não renuncia, e daí? Ele não renuncia e vamos ficar reféns?”, disse.

Foi diante de tal pensamento que o relator da reforma trabalhista decidiu pela interrupção da tramitação do projeto no Senado. “É possível tocarmos as coisas nesse ambiente de incerteza e sem ter a capacidade de imaginar o resultado de votações no Congresso? Com projetos fundamentais para o Estado brasileiro. Botar em risco a votação em um momento como esse me pareceu inadequado. Fizemos a suspensão do calendário para aguardar os desdobramentos da crise institucional cavalar que envolveu o senador Aécio Neves e o presidente da República. Fazer de conta, e dar uma de Monalisa, e achar que nada está acontecendo me pareceu uma imprudência muito grande”, explicou.

Segundo Ferraço, a intenção do PSDB é conversar com o presidente e analisar a situação. “Existem segmento do partido, e eu faço parte, de que nós devemos ir ao presidente dizer que as coisas estão insustentáveis e precisamos de uma saída (…) A Constituição dá uma saída”, defendeu.

O senador relatou ainda ter recebido com “enorme surpresa e indignação” a notícia do envolvimento de Michel Temer em conversa irregular com o empresário Joesley Batista, da JBS.

“Tudo o que não precisávamos era estarmos mergulhados de novo em uma crise institucional dessa dimensão, no momento em que alguns modestos, mas bons, resultados começam a sinalizar que estamos batendo no fundo do poço. E que as coisas pararam de piorar e as reformas estão caminhando de modo a reorganizar o Estado brasileiro”, afirmou.

Sobre o senador Aécio Neves, seu colega de partido, Ferraço foi categórico: “partido se reuniu ontem e a primeira providência foi o afastamento de Aécio da presidência. Partido tem novo presidente e tudo terá que ser enfrentado. Não podemos fazer dentro de casa aquilo que criticávamos que nossos adversários faziam”.

Confira a entrevista completa: