O conciliador Tancredo Neves, que morreu há 32 anos, ganha biografia, que detalha o papel do ex-presidente na transição da ditadura para a democracia.Com sonoplastia da Reginaldo Lopes, a reportagem é de Thiago Uberreich.

Em 2015, a Jovem Pan levou ao ar a série "Tancredo, o homem da transição", quando a morte do ex-presidente completou 30 anos. O trabalho, dividido em 4 capítulos, virou tema da dissertação de mestrado da jornalista Luana Viana, da Universidade Federal de Ouro Preto.

Tancredo de Almeida Neves, mineiro de São João del Rey, sabia, antes de tudo ouvir.  Conciliador, o político era especialista em costurar acordos com amigos e  inimigos.

O jornalista Plínio Fraga, que está lançando o livro "Tancredo, o Príncipe Civil", lembra que as costuras políticas dele nunca eram definitivas. Assista à matéria completa AQUI:

Nascido em 1910, o advogado Tancredo Neves entrou na política pelo Partido Progressista: foi eleito vereador. Já nos anos 1950, no PSD, ocupou os cargos de deputado estadual e federal.  Em 1954, como ministro da Justiça de Getúlio Vargas, acompanhou de perto a crise que resultou no suicídio do presidente. 

O jornalista Plínio Fraga destaca que Tancredo Neves se acostumou a enfrentar as turbulências

Além da crise de 54, Tancredo enfrentou a renúncia de Jânio Quadros em 61, e ajudou a costurar a implementação do parlamentarismo. Ele exerceu o cargo de primeiro ministro do presidente João Goulart até 62.

Na ditadura, o sempre moderado Tancredo Neves, era do MDB, de oposição  à governista Arena no Congresso Nacional.  Já em 82, foi eleito governador de Minas Gerais e em 84 percorreu o Brasil na campanha das Diretas Já.

Depois da derrota da emenda Dante de Oliveira, que restauraria o voto direto para presidente, a solução encontrada foi o Colégio Eleitoral. O jornalista Plínio Fraga faz questão de citar que Tancredo Neves era oposicionista.

Tancredo Neves, do PMDB, foi eleito de forma indireta em 15 janeiro de 1985 ao derrotar Paulo Maluf, candidato dos militares. O desafio, no entanto, era evitar uma possível virada de mesa contra a democracia, de acordo com o jornalista Plínio Fraga.

Um dos pontos mais controvérsos do livro "Tancredo, o Príncipe Civil" é a discussão sobre as sobras da campanha do presidente.

Plínio Fraga conclui que aproximadamete 45 milhões de dólares sobraram da campanha de Tancredo Neves, mas a lei, da época, não era restritiva. Na véspera da posse, marcada para 15 de março de 85, o presidente foi internado em Brasília, mas morreu, já em São Paulo, em 21 de abril.

O comando do país ficou nas mãos do vice José Sarney - mas como seria um eventual governo de Tancredo Neves?  O jornalista Plínio Fraga faz um exercício de imaginação.