Economista: mercado reage com “maturidade” a rebaixamento da nota do Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2018 15h38
Stevepb/PixabayBandeira disse ainda que as eleições do final do ano geram "incertezas" e avalia que o placar de eventual condenação do ex-presidente e pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva na 2ª instância da Lava Jato

O economista Álvaro Bandeira, da Modal Mais, repercutiu em entrevista ao Jornal Jovem Pan desta sexta-feira (12) a repercussão tranquila do mercado financeiro ao rebaixamento da nota de grau de investimento do Brasil pela Standard & Poor’s.

“O mercado já contava com isso”, diz Bandeira. “A Standard & Poor’s já havia sinalizado que rebaixaria a nota. Os mercados já estavam precificando essa possibilidade”, explicou.

O economista vê uma “maturidade” dos investidores e lembra que o mercado exterior também “foi bem” nesta sexta-feira com notícias positivas internacionais.

Bandeira ressalta, no entanto, que o governo brasileiro deve aplica “outras medidas”, “além da (Reforma da) Previdência”, de preferência neste ano, para melhorar a credibilidade da economia brasileira, como a reorganização da folha de pagamento. É necessário fazer o ajuste fiscal.

“Nesse momento temos fluxo de recursos ainda sendo canalizados para países em emergência”, ressalva Bandeira, explicando por que o mercado não se preocupa tanto com 2018.

“Pensar que vamos passar 2018 em branco (em termos de reformas) não tem muitos problemas para o orçamento, mas jogamos no colo do próximo presidente um 2019 muito complicado, pois as reformas deverão ser feitas nos primeiros seis meses do próximo mandato”, projetou.

Incertezas e condenação de Lula

Bandeira disse ainda que as eleições do final do ano geram “incertezas” e avalia que o placar de eventual condenação do ex-presidente e pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva na 2ª instância da Lava Jato no próximo dia 24 pode interferir nas expectativas do mercado.

“Dependendo do resultado (o TRF4) coloca mais lenha na fogueira”, avalia.

“Se o placar for de 3 a 0 (pró-condenação) os mercados vão reagir muito bem”, avalia Bandeira. “Mas se for 2 a 1 a situação volta a complicar muito mais”.

Ouça a entrevista completa abaixo: