O prefeito eleito de Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, Ney Santos (PRB), teve prisão preventiva decretada nesta sexta-feira (9) por suspeita de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

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O político lavava quantias arrecadadas pelo crime organizado em postos de combustível da cidade. Em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, Ney Santos afirmou ser dono ou sócio de três postos. Ele informou também possuir um patrimônio de R$ 2 milhões e grande parte do montante era guardado em dinheiro vivo. A suspeita é de que o valor esteja ligado ao PCC, Primeiro Comando da Capital.

Até o começo da tarde ele não havia sido encontrado pela polícia. Os promotores e policiais militares não encontraram Ney Santos em sua casa nem em residência da família em Alphaville. A informação é de que o vereador e prefeito eleito está viajando com familiares.

A operação

O pedido de prisão consta na Operação Xibalba, do Ministério Público de São Paulo.

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco de São Paulo - núcleo Capital) e com o auxílio da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo, deflagrou na manhã desta sexta.

A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas nas cidades de Embu das Artes, Osasco, Taboão da Serra, Carapicuíba, Cajamar e São Paulo, "instrumentalizada, em especial, através da constituição e administração de postos de combustíveis".

A investigação realizada em Procedimento Investigatório Criminal pelo Gaeco/Capital ensejou a propositura de ação penal que tramita em segredo de Justiça na 1ª Vara Judicial de Embu das Artes, cidade da Grande São Paulo.

Para o cumprimento dos 63 mandados judiciais, sendo 49 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão preventiva, o Ministério Público contou com atuação de 32 Promotores de Justiça e 200 policiais da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo.

Em 2010                              

Ney Santos é o segundo prefeito eleito na Grande São Paulo a ter um mandado de prisão expedido nessa semana. Na terça-feira, o vencedor da eleição em Osasco, Rogério Lins, por suposto envolvimento em esquema que desviou R$ 21 milhões dos cofres públicos.

O advogado especilista em direito eleitoral, Alberto Luiz Rollo, explica que a legislação não impede que os prefeitos eleitos assumam os cargos, mas acredita que as Câmaras de Vereadores tentarão cassar os mandatos.

“É uma situação esdrúxula”, reconhece Rollo. “Mas na nossa legislação, nada impede um prefeito de ‘prefeitar’ de dentro da cadeia. Isso já aconteceu“, afirma. Os vereadores, no entanto, devem avaliar se o mandatário eleito terá condições de administrar a cidade.