Em greve desde o dia 27 de abril, os professores da rede estadual de ensino do Paraná protestam contra uma mudança no sistema de previdência de servidores do Estado.

Em entrevista ao "Os Pingos nos Is", o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) disse não ter dúvidas de quem está por trás disso. "APP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que são braços sindicais do PT e os baderneiros que se sentiam à vontade na manifestação. Todos que queriam provocar o confronto. Mais uma vez, a intenção de todos eles era invadir a Assembleia e proibir a votação do projeto", afirmou.

"Foi um jogo sórdido, meticulosamente planejado. Estes 'líderes' venderam uma ideia para os professores e para a sociedade que o projeto visava retirar os direitos dos servidores. Quem ouve uma coisa dessas, fica furioso. Mas isso não é verdade", explicou.

O governador afirmou ainda que o Fundo Previdenciário do Estado está capitalizado em mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos e "é o maior do país". O Paraná possui um dos melhores pisos salariais do país para professores com jornadas de 40 horas, aproximadamente R$ 3.195. Mesmo assim, a categoria reivindicava um aumento de 13,01, conforme o piso nacional. "Eu dei o maior aumento salarial dos professores do Paraná e, acredito eu, do Brasil", bradou.

Richa acusou a manifestação de ter tido cunho político e chamou de "jogo político, sórdido e inescrupuloso" o que aconteceu. Ele afirmou ainda ter recebido comunicados de políticos de Brasília, que diziam que fariam de tudo para manter a greve e atingir seu governo. O governador acusou ainda o Governo federal de não ter Fundo capitalizado. "Deveriam se espelhar no Paraná. É duro apontar o dedo".

"Eu demonstrei na prática e não em retórica, como muitos fazem [em relação ao aumento de salário da categoria]. Acredito na educação como instrumento do bem comum, que garante a cidadania das pessoas", disse.

O projeto

O governo paranaense sancionou o projeto que visa tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário.

O objetivo é dar fôlego ao caixa da administração estadual, o que proporcionaria uma economia de R$ 125 milhões por mês. 

A manifestação

Para eles, a alteração é uma ameaça a longo prazo, porque coloca em risco as aposentadorias dos funcionários públicos.

Na última quarta-feira (29), um grupo de docentes, alguns deles mascarados, tentou invadir a Assembleia Legislativa Paranaense, onde se votava a proposta que é o principal motivo da paralisação.

A ação dos professores acabou em confusão no Centro Cívico, em Curtiba, e a PM teve que agir para evitar a invasão da Alep. A manifestação terminou com 200 pessoas feridas e 14 detidos.

Apoio a indicação de Luiz Edson Fachin

A respeito da indicação de Dilma Rousseff para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal, o governador do Paraná afirmou que não é um "bairrismo" e que apoia a indicação pelo histórico do advogado.

"Ele é um defensor de causas sociais e ele mesmo diz que não tem qualquer ligação com líderes de movimento [MST, por exemplo]. Ele construiu no Paraná uma carreira jurídica brilhante. Dr. Fachin no Paraná é uma unanimidade. Toda a sociedade apoia e avaliza o nome de Fachin para o STF", disse.

Richa destacou que o Estado conhece Fachin e disse que ele é um candidato "qualificadíssimo" para o cargo de ministro e que o apoia "com convicção e sem dúvida".