Bolsonaro quer para posto de vice general que defendeu intervenção

  • Por Jovem Pan
  • 20/07/2018 12h41
Divulgação/ExércitoApesar de defender "algum tipo de intervenção para colocar ordem na casa", Mourão negou que estivesse se referindo à intervenção militar

Ainda sem conseguir fechar coligação com outros partidos, o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) tenta se aproximar agora do general Antonio Hamilton Mourão, que é do PRTB, partido de Levy Fidelix.

Mourão, que chegou a defender publicamente uma intervenção militar (veja mais abaixo), é cotado para ser vice na chapa de Bolsonaro.

Segundo a jornalista Daniela Lima da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Bolsonaro assumiu a aliados que vai procurar o general da reserva. Se a conversa vingar, a proposta será levada a Fidelix. A colunista lembra que Mourão já negou uma proposta do PSL de Bolsonaro de se filiar para tentar o governo do Rio.

Formar uma chapa presidencial com dois militares, no entanto, encontra resistência da própria campanha de Bolsonaro e de seus aliados, que preferem alguém com um perfil mais empresarial, diz a coluna.

Mais cedo, a colunista Jovem Pan Vera Magalhães também citou, em sua análise do cenário eleitoral, que uma chapa militar seria “abraçar de vez o radicalismo”.

Outras opções seriam do próprio PSL, o que daria ao pré-candidato uma “chapa pura”, sem alianças. Os nomes cogitados são a jurista Janaina Paschoal e o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE).

Intervenção

Em setembro do ano passado, durante palestra em loja maçônica em Brasília, o general do Exército da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo País, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições. A afirmação foi dada na época em que foi apresentada a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, por participação em organização criminosa e obstrução de justiça.

“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, disse Mourão à época. “Os Poderes terão que buscar uma solução, se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução… e essa imposição não será fácil, ela trará problemas”, declarou também.

Apesar de defender “algum tipo de intervenção para colocar ordem na casa”, Mourão negou, no entanto, que estivesse se referindo à intervenção militar.

O ministro da Segurança Pública Raul Jungmann e o general Eduardo Villas Bôas, que também se envolveu mais recentemente em uma polêmica sobre a intervenção, decidiram não punir Mourão à época, para não transformá-lo em um “herói interno”.

Janaína ou Mourão?

Em evento em Goiás nesta quinta (19), Bolsonaro publicizou a possibilidade e ainda citou a advogada Janaína Paschoal, que assina o pedido do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT),  como possível vice. Janaína já se desincompatibilizou da Universidade de São Paulo (USP), onde era professora.

Ela filiou-se há pouco ao PSL de Bolsonaro. “Temos que ver as afinidades com Janaína, nas questões como MST, a maioridade (penal). Ver como estará a situação dela em relação à família para uma campanha. Ela é uma guerreira. Hoje, o general Mourão está no banco, junto com a Janaína”, disse. “Temos que conversar com o Levy Fidelix”.

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