Editora defende livro criticado por Bolsonaro e diz que tentará relançá-lo

  • Por Jovem Pan
  • 30/08/2018 13h37
Reprodução"O conteúdo da obra nada tem de pornográfico", garantiu a Companhia das Letras

A Companhia das Letras divulgou um comunicado à imprensa em que se pronuncia oficialmente a respeito de Aparelho Sexual e Cia, livro criticado por Jair Bolsonaro em entrevista recente ao Jornal Nacional. No comunicado, a editora, responsável pela distribuição da obra, reiterou que confia no conteúdo, revelou que ela está esgotada e anunciou em primeira mão que, perante à grande procura, pretende relançá-la em breve.

“O conteúdo da obra nada tem de pornográfico, uma vez que, formar e informar as crianças sobre sexualidade com responsabilidade é, inclusive, preocupação manifestada pelo próprio Estado, por meio de sua Secretaria de Cultura do Ministério da Educação que criou, dentre os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), um específico à ‘Orientação Sexual’ para crianças, jovens e adolescentes. O livro conta ainda com uma seção chamada ‘Fique esperto’, que alerta os adolescentes para situações de abuso, explica o que é pedofilia — mostrando como tal ato é crime —, o que é incesto e até fornece o contato do Disque-denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos”, diz a nota.

“Ao contrário do que afirmou erroneamente o candidato à Presidência em entrevista ao Jornal Nacional na noite de 28 de agosto, ele nunca foi comprado pelo MEC, como tampouco fez parte de nenhum suposto ‘kit gay’. O Ministério da Cultura comprou 28 exemplares em 2011, destinados a bibliotecas públicas”, completou.

Confira aqui o comunicado completo:

A editora Companhia das Letras reitera que confia no conteúdo do livro Aparelho sexual e Cia, uma obra que enfoca todos os aspectos da sexualidade, com sólida base pedagógica e rigor científico. Justamente por sua seriedade e pela importância do tema — cuja dificuldade de tratamento foi superada pela leveza na abordagem de assuntos como a paixão, as mudanças da puberdade, a contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pedofilia e incesto —, a obra foi publicada em 10 línguas, vendeu mais de 1,5 milhões de exemplares no mundo, e foi transformada em exposição, que ficou em cartaz duas vezes na Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris, e viajou por 7 anos pela Europa, sem que tivesse recebido qualquer acusação ou reprimenda. Ao contrário, virou um modelo de como informar os jovens sobre temas importantes e incontornáveis, a partir de um tratamento comprometido e cuidadoso

Gostaríamos de lembrar que Aparelho sexual e Cia foi lançado pelo selo juvenil da editora em 2007, e no nosso catálogo era sugerido para o 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, ou seja, para alunos de 11 a 15 anos. A indicação de cada escola é livre, a Companhia das Letras não tem nenhuma interferência sobre ela.

O conteúdo da obra nada tem de pornográfico, uma vez que, formar e informar as crianças sobre sexualidade com responsabilidade é, inclusive, preocupação manifestada pelo próprio Estado, por meio de sua Secretaria de Cultura do Ministério da Educação que criou, dentre os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), um específico à “Orientação Sexual” para crianças, jovens e adolescentes. O livro conta ainda com uma seção chamada “Fique esperto”, que alerta os adolescentes para situações de abuso, explica o que é pedofilia — mostrando como tal ato é crime —, o que é incesto e até fornece o contato do Disque-denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

Ao contrário do que afirmou erroneamente o candidato à Presidência em entrevista ao Jornal Nacional na noite de 28 de agosto, ele nunca foi comprado pelo MEC, como tampouco fez parte de nenhum suposto “kit gay”. O Ministério da Cultura comprou 28 exemplares em 2011, destinados a bibliotecas públicas.

Como o livro está esgotado, e o seu contrato, expirado, a editora está em contato com os proprietários para avaliação da possibilidade de disponibilizá-lo, novamente, para o público brasileiro.