Cláudia Abreu relembra visita a centro de João de Deus: ‘Poderíamos ter sido vítimas’

  • Por Jovem Pan
  • 26/12/2018 15h14
ReproduçãoAtriz refletiu sobre a pressão que o local pode exercer sobre os visitantes e como isso teria facilitado os abusos

A atriz Cláudia Abreu publicou nesta quarta-feira (26) um desabafo em sua conta no Instagram sobre as duas visitas que fez à casa Dom Inácio de Loyola, centro religioso de João de Deus em Abadiânia. “Levei minha filha, então com treze anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida”, escreveu.

Em seu relato, a atriz apontou que, nas duas ocasiões que esteve no centro, foi convidada a segurar instrumentos das cirurgias mediúnicas praticadas ali. “Pessoas famosas eram sempre chamadas para segurar os instrumentos das cirurgias diante de uma multidão. Fui convidada duas vezes e fui contrariada, pois era delicado dizer não”, contou.

Para ela, o clima das visitas exerceu alguma pressão que a levou a participar das cirurgias. “Lá ficávamos todos vulneráveis. Ao mesmo tempo, isso me obrigava a legitimar alguém que eu mal conhecia”. A atriz refletiu ainda sobre essa pressão que sentiu e sobre o que pode ter acontecido às mulheres que realizaram denúncias junto ao Ministério Público contra o médium.

“Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir para uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade.”

Veja a íntegra da publicação:

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Nem sei por onde começar. Sempre fui arredia às redes sociais, não tenho o hábito de postar muito sobre a minha vida cotidiana, nem de me posicionar sobre tudo a todo momento. Mas não posso deixar de falar sobre assédio. Demorei um tempo pra digerir a decepção que tive com João de Deus. Fui à Abadiânia duas vezes, fui bem recebida por ele, por sua família e sua equipe. Nunca fui totalmente crédula, mas como presenciei cirurgias feitas diante de todos, com cortes feitos na hora e sem dor, foi difícil não acreditar em algum poder mediúnico. Mesmo assim, é preciso estar sempre alerta aos sinais da sua intuição. Pessoa famosas eram sempre chamadas pra segurar os instrumentos das cirurgias diante de uma multidão. Fui convidada duas vezes e fui contrariada, pois era delicado dizer não. Lá ficávamos todos vulneráveis. Ao mesmo tempo, isso me obrigava a legitimar alguém que eu mal conhecia. Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir pra uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam. Levei minha filha, então com treze anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade. Muito triste.

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