“Apenas” uma música? Exposição questiona naturalização da violência contra mulheres

  • Por Jovem Pan
  • 13/03/2018 11h23
Thales Ferreira/Reprodução/FacebookAção da Secretaria De Políticas Para Mulheres (SEPOM) da prefeitura de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, viralizou na web

“Mas que mulher indigesta, merece um tijolo na testa” (Noel Rosa, 1932)

“Se te agarro com outro te mato, te mando algumas flores e depois escapo” (Sidney Magal, 1977)

“Com tanta roupa suja em casa, você vive atrás de mim. Mulher foi feita para o tanque, homem para o botequim” (Grupo Vou Pro Sereno, 2013)

“Eu já sei o que fazer, vamos acabar com a raça dessa mina” (MC Livinho, 2016)

Os trechos acima não possuem nenhuma relação entre si. São de músicas diferentes, artistas diferentes, gêneros diferentes e épocas diferentes. Mas não precisa de muito esforço para conseguir enxergar a semelhança entre eles. Em todas as letras, o ponto em comum é a incitação e (o que é ainda pior) a naturalização da agressão contra a mulher. E é isso que está sendo discutido na exposição Música: Uma Construção de Gênero, em cartaz no saguão da prefeitura de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, desde 8 de março (Dia Internacional da Mulher).

Embora seja uma campanha da administração local, as fotos começaram a circular nas redes sociais e rapidamente viralizaram em todo o país. Fotografadas por Thales Ferreira, elas mostram mulheres com hematomas, manchas de sangue e outros indícios de espancamento carregando placas com dizeres desses e outros trechos machistas.

Um dos cartazes mostra, inclusive, a responsável por iniciar toda essa discussão: Só Surubinha de Leve, do MC Diguinho. Em janeiro deste ano, o hit, acusado de fazer apologia ao estupro, chegou ao topo da lista das mais ouvidas do Spotify. Após grande manifestação popular, no entanto, foi retirada das plataformas digitais.

“A violência de gênero está mais inserida em nossa cultura do que você imagina. Algumas vezes vem disfarçada nas entrelinhas, mas está lá! Reflita sobre o que você escuta”, disse nas redes sociais a Secretaria De Políticas Para Mulheres (SEPOM) da cidade, organizadora da ação.

Confira as imagens acima!