Mamonas Assassinas x politicamente correto: banda seria sucesso hoje em dia?

  • Por Daniel Keny/Jovem Pan
  • 26/02/2016 16h19
Mamonas Assassinas

Duas décadas atrás, o Brasil viu morrer um dos maiores fenômenos musicais da história de sua música pop. Do lançamento do álbum homônimo, em junho de 1995, até o trágico acidente aéreo, em 2 de março de 1996, os Mamonas Assassinas dominaram as emissoras de TV e as rádios, venderam mais de três milhões de cópias e fizeram shows, muitos shows.

O talento musical dos integrantes da banda e principalmente a capacidade de satirizar tudo aquilo que queriam, além de inegável carisma, os fizeram cair no gosto popular. O irreverente quinteto se tornou referência para milhares de crianças e adolescentes na metade dos anos 90.

20 anos depois, muita coisa mudou na música e na sociedade brasileira como um todo, inclusive a maneira como a opinião pública lida com questões polêmicas, que costumam ser amplificadas e discutidas à exaustão nas redes sociais.

Neste Brasil mais politicamente correto, como será que a zoação dos Mamonas Assassinas com nordestinos, gays e mulheres seria vista? O humor escrachado de Dinho seria alvo do “textão” no Facebook?

A JP Online entrou na discussão e separou 7 músicas em que o senso de humor dos Mamonas poderia gerar debates acalorados entre fãs e críticos:

“1406”

Nesta faixa o consumismo é criticado, mas em alguns versos a mulher é depreciada pelo marido, que, para mantê-la feliz, precisa comprar tudo que ela deseja:

Mas a pior de todas é minha mulher / Tudo o que ela olha a desgraçada quer

Televisão, microondas, micro system, microscópio, limpa-vidro, limpa-chifre e facas ginsu

“Vira-Vira”

Além de fazer piada de português, a música têm inúmeros versos de conotação sexual, abuso contra a mulher e palavras que assustariam os pais mais conservadores.

Fui convidado pra uma tal de suruba / Não pude ir, Maria foi no meu lugar

Depois de uma semana ela voltou pra casa / Toda arregaçada, não podia nem sentar

“Pelados em Santos”

Em “Pelados em Santos”, o sujeito nordestino narra a sua paixão não correspondida. No refrão, conta que a amada não está interessada em um cara como humilde como ele:

Mas comigo ela não quer se casar / Na Brasília amarela com roda gaúcha, ela não quer entrar

Feijão com jabá / A desgraçada não quer compartilhar

“Uma Arlinda Mulher”

O verso “Te falei que era importante competir / mas te mato de pancada se você não ganhar” poderia ser interpretado como um incentivo à violência contra a mulher. E depois ainda tem uma frase preconceituosa contra o cabelo afro:

 Você é uma besta mitológica com cabelo pixaim parecida com a Medusa 

“Jumento Celestino”

Embora o baião dos Mamonas valorize o ritmo tipicamente brasileiro, a xenofobia contra nordestinos está explícita nos versos da canção:

Tava ruim lá na Bahia, profissão de bóia-fria / trabalhando noite e dia, não era isso que eu queria / eu vim-me embora prá Sum Paulo

Hoje eu tô arrependido de ter feito migração / volto pra casa fudido, com um monte de apelido / o mais bonito é cabeção

“Lá Vem o Alemão“

Em “Lá Vem o Alemão“, novamente a mulher é descrita como interesseira. Um alemão rico e bonito leva embora o amor de um sujeito pobre.

A Kombi quebrada lá na praia / E você de minisaia / Dando bola para um alemão

O alemão de carro conversível / Eu mexendo “nos fusível” / Nem vi quando você me deixou

“Robocop Gay”

Seria “Robocop Gay” uma música homofóbica? A letra debocha sobre “sair do armário”:

Um ser humano fantástico / com poderes titânicos

Foi um moreno simpático / por quem me apaixonei

E hoje estou tão eufórico / com mil pedaços biônicos

Ontem eu era católico / Ai, hoje eu sou um gay