Marrakesh usa experiência na Europa para dar salto na carreira

Em entrevista à Jovem Pan, a banda curitibana Marrakesh conta como a experiência no Primavera Sound mudou o grupo

  • Por Caio Menezes/Jovem Pan
  • 09/08/2019 16h14
DivulgaçãoA banda curitibana Marrakesh lançou o single "Defectively"

Para muitas bandas nacionais, um show em um grande festival gringo pode ser o ápice da carreira. Mas, para os curitibanos da Marrakesh, o show no Primavera Sound, em Barcelona, foi o início de um novo ciclo.

Depois de tocar no festival europeu em 2017, o grupo percebeu que precisava fazer as coisas de uma maneira diferente para evoluir. “Percebemos que precisávamos mudar a forma como as coisas estavam sendo conduzidas musicalmente e administrativamente também”, disse a banda em entrevista à Jovem Pan.

O resultado dessas mudanças pode ser visto – e ouvido – em “Defectively”, single lançado pela Marrakesh em junho. Eles consideram a música um grande passo. “Essa música em especial foi bem simbólica pessoalmente pra cada integrante. Foi a primeira que lançamos depois da entrada do Dani [Daniel Tupy], então um grande passo talvez seja o termo certo mesmo”, explicam os músicos.

Na entrevista abaixo, a Marrakesh fala sobre o single, a experiência no Primavera Sound e a cena do rock alternativo no sul do país: ” Tudo aqui tem um ritmo diferente, mas sentimos a responsabilidade de estimular esse crescimento através de ações culturais na região.”

Leia:

Jovem Pan: Por que vocês acreditam que “Defectively” é um grande passo para a banda?
Marrakesh: Foi nosso primeiro lançamento com uma label internacional, primeiro single pós-álbum também, acho que a cada lançamento vai acumular a densidade de tudo que foi lançado antes, então  esperamos que cada lançamento seja um grande passo. Mas essa música em especial foi bem simbólica pessoalmente pra cada integrante, foi a primeira que lançamos depois da entrada do Dani [Daniel Tupy], então um grande passo talvez seja o termo certo mesmo.

Jovem Pan: Como vocês mudaram como banda depois da experiência no Primavera Sound?
Marrakesh: Nós vimos grande parte das nossas referências ao vivo e percebemos que precisávamos mudar a forma como as coisas estavam sendo conduzidas musicalmente e administrativamente também. Foi uma experiência marcante por vários motivos, mas os efeitos de fato são bem visíveis quando comparamos as demos do álbum, que foram feitas antes do Primavera, e o álbum pronto. Isso também impactou no nosso show, começamos a planejá-lo com mais cuidado pra fornecer uma experiência pro público tão boa quanto a que sentimos vendo os shows no Primavera.

Jovem Pan: Qual é a importância da Balaclava Records para a música alternativa no Brasil?
Marrakesh: A quantidade de eventos culturais e lançamentos de bandas nacionais e internacionais que a Balaclava faz já fala bastante sobre sua importância no cenário atual. Admiramos todos os envolvidos e sabemos que a música alternativa no Brasil só tende a crescer enquanto a Balaclava existir, seja em quantidade de artistas ou até mesmo público.

Jovem Pan: Como vocês veem Curitiba e a região Sul no cenário da música alternativa no Brasil?
Marrakesh: Primeiramente vemos como uma região que tem um potencial enorme de engajamento com a música alternativa. Tudo aqui tem um ritmo diferente, mas sentimos a responsabilidade de estimular esse crescimento através de ações culturais na região. Curitiba tem uma proximidade com São Paulo muito conveniente e nos últimos anos essa distância tem ficado cada vez menor. Temos um sentimento bem otimista em relação ao futuro.

Jovem Pan: Quais são os planos para futuro?
Marrakesh: Estamos com várias músicas no processo de produção e algumas prontas já. Gostamos muito da repercussão de “Defectively”, nacional e internacionalmente, e a ideia é aproveitar esse ritmo para continuar com os lançamentos, talvez até um álbum ano que vem. O “Cold As A Kitchen Floor” nos colocou em contato com muita gente talentosa e vamos aproveitar cada uma nesses próximos lançamentos, com certeza. Vai ter bastante coisa nova logo. Também estamos com alguns trabalhos engatilhados com o What So Not, que acabou apadrinhando a gente na October Records. Resumindo, queremos lançar tudo da melhor forma possível e começar a fazer turnês por todos os territórios possíveis, sejam eles nacionais ou internacionais.