We Can Do It! Confira lista de artistas que lutam pela igualdade de gênero e o porquê

  • Por Jovem Pan
  • 06/03/2015 08h34
Divulgação

Entre as feministas, o Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo domingo (08), não serve para receber flores, mas para lutar por uma sociedade mais igualitária entre os gêneros. E há muito a ser conquistado, incluindo respeito ao caminhar nas ruas e o mesmo salário. 

Segundo o estudo  Mapa da Violência, realizado em 2012 pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), o Brasil era o sétimo no ranking em países em que mais mulheres são assassinadas, a frente de países considerados violentos e misóginos, como Cazaquistão e Iraque. Os parceiros, como marido, namorado ou ex, são responsáveis por quase metade dos crimes. Na faixa etária de 20 a 49 anos, o agressor de 65% dos casos já teve ou tem relação amorosa com a vítima.   Recente pesquisa divulgada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que as brasileiras ganham, em média, 25% a menos que remuneração de trabalhadores homens com o mesmo nível de estudo e atividade. A boa notícia é que a diferença está diminundo. Em 2013, as mulheres recebiam quase 30% a menos.

O feminismo tem sido fervorosamente defendido por figuras populares. Além de cantoras, atrizes também se destacam na causa. A mais recente sensação foi o discurso da vencedora do Oscar Patricia Arquette. “Dedico esse prêmio a todas as mulheres que deram à luz, a todos que pagam impostos, aos cidadãos deste país. Nós já lutamos pelos direitos civis de todo mundo. Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos”, reivindicou. 

Emma Watson faz declarações frequentes e, inclusive, foi ameaçada por defender a causa. “Eu decidi que era feminista e isso não me parecia complicado, mas a minha recente pesquisa me mostrou que ‘feminismo’ se tornou uma palavra impopular”, disse em discuso da Organização das Nações Unidas (Onu).

Confira cantoras que defendendem a equidade entre gêneros. 

Beyoncé
Sempre que possível Beyoncé se autoproclama feminista, inclusive em shows. “A Beyoncé é um ícone da cultura pop, conhecida em todo o mundo, e admirada por milhares de pessoas de todas as idades. Quando ela se identifica como feminista e usa seu palco para explicar o que o feminismo é, ajuda a desconstruir o preconceito contra o feminismo e dá força para que outras pessoas também sintam segurança em se assumir como feministas”, considerou a blogueira Jarid Arraes para o portal da revista Fórum.  A cantora norte-americana, porém, foi criticada pela escocesa Annie Lenoxx que considera o engajamento da colega “light”.

Pussy Riot
O grupo punk russo teve três da duas integrantes presas por criticarem o presidente Vladmir Putin em uma igreja em 2012 e tem se empenhado em defender minorias políticas, em especial as mulheres e os homossexuais.  O grupo também se enquadra no gênero Riot Grrrl, criado em oposição aos grupos de Girl Power, encabeçado principalmente pelas Spice Girls e criticado especialmente por conta do materialismo e falta de discurso político.

Pitty
Pitty é conhecida por posturas críticas e incentivo ao feminismo. O episódio mais recente foi de uma discussão com a cantora Anitta, que alegou em entrevista ao Altas Horas que as mulheres estão muito vulgares. “Anitta, só uma ressalva: nós ainda não temos os mesmos direitos. Não ganhamos o mesmo salário. Quase não é lá”, disse à funkeira que disse que os direitos são “quase” iguais. “Eu acho que a gente ainda tem muito para conquistar, a parti do momento que a gente questiona uma plateia masculina se uma mulher sair com os amigos é ruim e e que isso causa comoção, a gente tá é longe”, complementou.

A roqueira mandou bem na argumentação e foi aplaudida por quem assistia o programa da Rede Globo. “Respeito é do ser humano e não deve ser associado ao gênero. O que se diz por uma ‘mulher de respeito’ é muito diferente do que se diz de um ‘cara de respeito’ e isso é uma coisa que me incomoda”. 

Madonna
A rainha do pop é controversa no meio feminista, às vezes exaltada por ser uma poderosa e influente, e outras criticada por resumir o sucesso feminino à sexualização. Ousada, a artista sempre está tratando de tabus e polêmicas. “Algumas músicas dela simplesmente são revolucionárias, na época de lançamento escandalizaram sim. Essa pra mim é a maior prova da importância dela. Em ‘Papa, Don’t Preach’, ela basicamente diz para o pai dela não se meter, que, sob todos os riscos, ela é quem cuida da vida dela”, defendeu a jornalista Nana Soares em entrevista ao portal Saraiva Conteúdo. “‘Like a Prayer’ é a ainda mais sensacional, porque fala de sexo. E ela está cantando isso pra todo mundo ouvir e fazendo em paralelo com uma oração!”, completa.

Kim Gordon
Kim Gordon, ex-Sonic Youth, acredita que as mulheres são, de nascença, “anarquistas e revolucionárias porque elas são sempre tratadas como cidadãs de segunda classe”. 

A artista, que compôs letras engajadas ao longo da carreira, criticou Lana Del Rey em sua recém-lançada biografia alegando que a artista minimiza e tira a importância do feminismo. Del Rey, em entrevista à revista Fader em que declarou o seguinte: “Não estou interessada em feminismo. Minha ideia de uma verdadeira feminista é uma mulher que se sinta livre o bastante para fazer o que quiser”.   E Kim Gordon mandou na lata: “Hoje temos pessoas como Lana Del Rey que nem sabem o que é feminismo, que acreditam que as mulheres podem fazer tudo o que quiserem, o que, em seu mundo, é flertar com a autodestruição, seja dormindo com homens mais velhos nojentos ou sendo estuprada por um grupo de motociclistas”.

Lorde
A cantora neozelandesa se considera feminista e faz críticas contundentes ao universo pop, especialmente pela coisificação das mulheres e demais artistas. Em entrevista à Rolling Stone, Lorde criticou Taylor Swift. “Sou feminista, e o tema da música dela  (“Come & Get It”) é: ‘Quando você quiser, venha e me pegue’. Estou cansada de ver mulheres sendo retratadas desse jeito”, alegou na ocasião.

Valesca Popozuda
É o mesmo caso da Madonna. A funkeira se declarada feminista, mas é criticada por falta de sororidade, termo usado para indicar empatia e unidade entre as mulheres, por conta dos versos “rala sua mandada” e reclamações das “inimigas”. Em entrevita à Época, Valesca resumiu a sua atuação com as seguintes palavras: “feminismo é lutar pela mulher. Sei o que ela passa. O homem pode tudo. É o garanhão e, se pega uma, três ou dez, tudo bem. Ele pode. A mulher, não. Ela é sempre rotulada como a p*ta, a vagabunda. Feminismo é a gente lutar pela igualdade cara a cara. Mostrar que as mulheres são potentes sim e que, quando queremos alguma coisa, corremos atrás de nossos objetivos e nunca abaixamos a cabeça para ninguém”. A carioca também é saudada no universo gay.