Diretor de ‘O Rei Leão’ se inspira em ‘Star Wars’ para cativar as crianças

  • Por Jovem Pan
  • 15/07/2019 19h50
EFE/EPA/ETIENNE LAURENTJon Favreau dirige a nova versão de "O Rei Leão"; filme estreia nesta quinta-feira (18) no Brasil

Diante do enorme e temível desafio de reimaginar um dos clássicos mais emblemáticos da Disney, Jon Favreau, diretor da versão live-action de “O Rei Leão“, que chega ao Brasil nesta quinta-feira (18), afirmou que para cativar as crianças é preciso combinar em um filme “a magia do assombro visual com a profundidade da mensagem”.

“Eu cresci com ‘Star Wars’. Yoda dizia lições muito valiosas, mas, se não tivesse usado a Força e tivesse feito com que o X-Wing saísse do pântano, não teria me atraído tanto quando criança. Quando você fica mais velho, entende as mensagens, mas é preciso misturar magia e mensagem”, destacou o cineasta.

“A tecnologia é uma forma de magia. Para nós, tornar ‘O Rei Leão’ tão excitante e interessante visualmente o quanto pudemos, com todas estas tecnologias que as pessoas não viram até agora, cria emoção. E quando a curiosidade das pessoas está no auge, isso lhes deixa mais receptivas à história. Sempre é preciso ter os fogos de artifício à mão para manter os jovens interessados”, acrescentou.

Com as vozes de Donald Glover, Beyoncé e Chiwetel Ejiofor em sua versão original, este remake recupera a história do leão Simba e sua disputa com seu malvado tio Scar. Mas, ao contrário da animação de 1994, a nova produção aposta em técnicas hiper-realistas de recriação digital para imitar a ação real quase como um documentário.

Favreau não é um novato neste campo. Dentro da recente tática da Disney de interpretar seus filmes mais famosos com novos enfoques, foi elogiado pela crítica e pelo público com “Mogli: O Menino Lobo”, de 2016, que arrecadou US$ 966 milhões no mundo todo.

No entanto, “O Rei Leão” está certamente em um patamar superior. Tanto que, 25 anos depois da sua estreia, e graças também a seu triunfal musical da Broadway, o filme ganhador de dois Oscar conserva um lugar muito especial e prestigiado dentro do cinema contemporâneo. “‘O Rei Leão’ tem todas as coisas que um filme clássico de Disney tem: perda, dor, mas ao final é muito esperançoso e inspirador”, considerou Favreau.

O cineasta situou “a viagem emocional” do longa-metragem no contexto dos “mitos eternos”. “[‘O Rei Leão’] Foi famosamente comparado com ‘Hamlet’, mas, se você olha para a mitologia do antigo Egito, há uma história de Osíris, Seth e Hórus que é muito similar. Não significa que seja uma adaptação disso, mas sim que trata temas universais que seguem se repetindo em diferentes culturas no mundo todo”, argumentou.

Realismo sem emoção?

O novo “O Rei Leão” se apoia na nostalgia daquelas crianças, agora adultos, que devoraram várias vezes o filme original e recupera canções inesquecíveis de sua trilha sonora, como “Circle of Life”, “Hakuna Matata” e “Can You Feel the Love Tonight”.

No entanto, a aposta decidida de Favreau pelo naturalismo, de maneira que Simba seja a imagem viva de um leão e não sua versão animada ou estilizada, traz alguns riscos como a possível perda de expressividade: se a ideia é ter um leão completamente realista, seu rosto não pode ter sorrisos, mostrar irritação ou sugerir amor.

“Quando você começa a introduzir expressões humanísticas ou de desenhos animados em suas faces, acho que se consegue um tom criativo muito diferente”, se defendeu Favreau.

“Não quero dizer que não poderia ser bem feito, mas acho que isso é algo um pouco mais estilizado, como um filme da Pixar, que é incrivelmente emocional e tem muita expressão. Mesmo um filme como ‘Carros’ tem carros com rostos e funciona bem”, acrescentou.

De qualquer forma, Favreau se mostrou muito convencido da sua escolha para se diferenciar usando o realismo com o objetivo de “criar a ilusão que se está, de fato, observando uma ação real”.

“Percebi, entre ‘Babe, o Porquinho Atrapalhado’ e o documentário ‘Planeta Terra’, que se pode evocar uma quantidade enorme de emoção sem contorcer as faces dos animais em algo que normalmente não expressariam. Em ‘Babe’ me senti muito conectado com esse pequeno porco, mas era um porco real: só usaram efeitos para fazer com que sua boca se movesse “, explicou.

“Por isso, se houver uma boa montagem, usar a música adequada, contar a história correta e ter as vozes apropriadas, acho possível passar uma quantidade tremenda de emoção”, finalizou.

*Com EFE