Indicados sírios ao Oscar são barrados nos EUA e não participarão da cerimônia

  • Por Jovem Pan
  • 16/02/2018 09h41
DivulgaçãoImagem de divulgação do documentário "Last Men in Aleppo"

O produtor Kareem Abeed era só alegria em janeiro. Isso porque seu filme Last Men in Aleppo (Últimos Homens em Aleppo, em tradução literal), documentário que narra o cotidiano de um grupo voluntário que presta assistência às vítimas da guerra na Síria, foi anunciado naquele mês como um dos indicados ao Oscar de melhor documentário. Acontece que nem tudo são rosas. Nesta semana, ele descobriu que não conseguirá participar da cerimônia no próximo dia 4 de março, pois seu pedido de visto para os Estados Unidos foi recusado.

De acordo com o The Hollywood Reporter, Mahmoud Al-Hattar, fundador do grupo Capacetes Brancos que ajudou na produção do filme, também foi barrado. “Kareem, meu produtor e colega indicado, não pode vir aos EUA por conta das restrições de Trump”, denunciou o diretor do longa, Feras Fayyad. “A não ser que aconteça um milagre, ele não estará no Oscar comigo. Somos artistas e queremos apenas compartilhar nossas histórias, nada mais. É muito triste que não teremos a oportunidade de compartilhar isso”, completou.

Last Men in Aleppo é o primeiro filme produzido e dirigido por profissionais sírios na história a ser indicado ao prêmio. Ele narra o trabalho dos Capacetes Brancos, organização civil de defesa dos direitos humanos que permanece na capital em meio aos conflitos armados para ajudar a fornecer assistência médica às vítimas. Eles foram indicados ao Nobel da Paz em 2016.

Al-Hattar afirmou à publicação que está desapontado por não conseguir usar o Oscar para “condenar a Rússia, Bashar Al-Assad e todos que representam as autoridades e fornecem armas para suprimir o povo da Rússia”. “Eu gostaria de estar no palco do Oscar para dizer que é hora de acabar com essa guerra e parar aqueles que usam seu poder para nos destruir”, declarou.

“O governo da Rússia não quer emitir os passaportes e vistos porque eles usam a mesma acusação dos russos – que os Capacetes Brancos trabalham com um grupo terrorista. O governo da Síria é controlado pelos russos. Conheço várias pessoas da Rússia e eles não gostam muito das políticas do Putin”, explicou Fayyad. O diretor, também de origem síria, não teve problemas com a viagem, já que reside atualmente na Califórnia.