Woody Allen diz que não pensa em se aposentar e que morrerá trabalhando em um filme

  • Por Jovem Pan
  • 09/07/2019 13h53
EFE/Javier EtxezarretaWoody Allen começa a gravar seu novo filme nesta quarta-feira (10)

O cineasta Woody Allen inicia na cidade de San Sebastián, na Espanha, as gravações do seu novo filme, convencido de que, apesar da sua idade e de campanhas contra ele, continuará trabalhando até o final de seus dias. “Provavelmente morrerei no meio da montagem de um filme ou em um estúdio, filmando”, afirmou.

Allen apresentou em entrevista coletiva nesta terça-feira (9) seu novo projeto, acompanhado pelo fundador do Mediapro Studio, Jaume Roures, e de parte do elenco com o qual filmará a partir desta quarta-feira (10): as atrizes Elena Anaya e Gina Gershon, e os atores Sergi López e Wally Shawn.

Fiel à lenda, Allen chegou à sessão fotográfica prévia com passos curtos e indecisos, um suéter de lã cinza e seu característico chapéu, esforçando-se para tirar o olhar do chão, enquanto ao seu lado estavam, todos sorridentes, o prefeito de San Sebastián, Eneko Goia, e o deputado da província de Guipúzcoa, Markel Olano.

Já sem o chapéu, Allen se mostrou relaxado e não recusou nenhuma das perguntas que o perseguem desde que as denúncias de abuso sexual de sua filha adotiva, Dylan Farrow, o isolaram nos Estados Unidos, onde não pôde estrear seu trabalho anterior, “A Rainy Day New York”, que, no entanto, chegará aos cinemas da Europa.

Todo este ambiente e sua idade, 83 anos, não o fizeram pensar em aposentadoria. “Nunca penso em me aposentar, não é algo que tenha me ocorrido”, explicou o diretor nova-iorquino, que acrescentou que trabalha “sete dias por semana”.

“Não penso em parar, não penso em movimentos políticos, sociais, não estou mentalmente preparado para ter uma visão profunda desses conflitos, eu trato de relações humanas, das pessoas, da comédia”, disse.

Woody Allen encontrou em San Sebastián um lugar no qual pode trabalhar com comodidade, já que, como confessou em várias ocasiões, não gosta muito de se ausentar de Nova York.

“Tive que pensar em algum lugar no qual poderia ficar bem e cômodo durante o verão, lembrei que já estive aqui duas ou três vezes no festival e lembrei dessa bela cidade e desse charme especial”, confessou.

A partir daí, o cineasta escreveu uma história ambientada no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián – no qual recebeu o Prêmio Donostia em 2004 -, e que Allen transformará no cenário de uma comédia romântica sobre a qual não quis dar muitos detalhes.

“É uma comédia romântica sobre pessoas dos EUA que chegam a San Sebastián para o festival e os eventos têm ressonâncias cômicas em suas vidas, no seu casamento e com as pessoas que se encontram aqui”, declarou. O filme ainda não tem título, embora tenha sido denominado provisoriamente como “O Festival de Rifkin”, em alusão a um dos personagens.

San Sebastián e seu entorno, “os lugares do festival, mas também as áreas verdes e o mar”, terão um protagonismo na produção. “Quero apresentar ao mundo minha visão de San Sebastián, que é uma visão do paraíso, assim como fiz com Nova York”, destacou o diretor americano.

Allen pisou em ovos em todas as questões políticas, embora considere que “o clima político tão tenso” que se vive nos EUA não prejudica o humor e, pelo contrário, “proporciona um humor satírico de primeiríssima qualidade. Os maus tempos fazem bem para a comédia”, comentou.

Elenco

O cineasta já tinha visto Elena Anaya em “A Pele Que Habito”, de Pedro Almodóvar, e, aconselhado por sua equipe, ofereceu a ela um papel em um roteiro que a atriz espanhola definiu como “uma das histórias mais bonitas” que já leu.

Elena aceitou imediatamente, acima de vetos e boicotes. “Acredito na vida, acredito na justiça e como atriz sou responsável pelos trabalhos que escolho, e os escolho pelo roteiro”, afirmou a atriz, que confessou que conheceu Allen ontem e o considera “uma pessoa absolutamente agradável, um gênio, uma lenda”.

Gina Gershon também admitiu que realiza um “sonho” com o convite de Allen, apesar do ambiente político em seu país, que qualificou de “loucura” e de “tempos selvagens”.

“Estou muito consciente sobre a questão da mulher e estou muito feliz por estar aqui e ser parte desta equipe. Há muitas coisas boas que estão saindo desses movimentos – em alusão ao “Me too” -, mas é importante que haja discernimento e que as pessoas tomem decisões próprias”, ressaltou.

A rodagem da filme de Allen começará amanhã em San Sebastián e vai até o dia 23 de agosto em várias locações de Guipúzcoa, como Pasaia e Zumaia.

*Com EFE