Auxiliar da final do Paulista de 1973 relembra erro de Armando Marques: “fui o primeiro a alertar”

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2015 12h49

Pelé comemora após as cobranças de pênalti

Pelé comemora após as cobranças de pênalti

A decisão do Campeonato Paulista de 1973 entre Portuguesa e Santos ficou marcada na história do futebol brasileiro, e também na memória de Emídio Marques de Mesquita. Oauxiliar da polêmica partida, que acabou com título dividido entre os dois clubes, conta, em entrevista exclusiva à Rádio Jovem Pan, que foi a primeira pessoa a alertar o árbitro Armando Marques sobre o erro na contagem dos pênaltis.

“Eu estava no meio do campo e só fui encontrar com ele nos vestiários, quando ele já estava de meia ‘arriada’, e eu fui o primeiro a dizer a ele que estava faltando cobranças. E ele disse que não, que estava certo… Aí chegou o delegado do jogo, que era ‘seu’ Francisco Nunes, e corroborou o que eu havia dito, daí ele caiu na real que tinha cometido um equívoco”, relembra.

Emídio explica que o regulamento da competição, naquela época, obrigava a cobrança de cinco tiros, independente do resultado. Ou seja, mesmo que uma equipe abrisse vantagem de três gols nas cobranças e o adversário não pudesse alcançar o placar, os dois times deveriam completar as cinco batidas de pênalti.

Na tarde de 26 de agosto de 1973, porém, Armando Marques não levou isso em consideração. Zé Carlos, pelo Santos, e Isidoro, pela Portuguesa, abriram as cobranças e não balançaram as redes. Na sequência, Carlos Alberto e Edu converteram para o Peixe enquanto Calegari e Wilsinho pararam em Cejas e no travessão, respectivamente. Com isso, o placar estava 2 a 0 para o time da Vila com duas cobranças restantes para cada equipe (inclusive Pelé). Entretanto, o árbitro encerrou a disputa como se estivesse decidida, mesmo com a Lusa ainda tendo chances de empatar.

Após todos se darem conta do erro, a primeira reação era voltar a disputa, mas o Emídio destaca que era algo impraticável, pois os jogadores da Portuguesa já haviam se retirado do estádio. Houve então uma reunião com os presidentes das duas equipes mais o presidente da Federação Paulista de Futebol, e dali saiu a decisão: o título seria dividido, porque era domingo e na quarta-feira já começaria o Campeonato Brasileiro, e não haveria tempo hábil para uma nova disputa.

Emídio ainda destaca que Pelé, que nem chegou a realizar sua cobrança, saiu comemorando, e induziu Armando Marques a acreditar que a disputa estava finalizada. Após a partida polêmica, a regra sofreu uma alteração, que permanece até hoje: caso uma equipe converta os gols e chegue a uma vantagem inalcançável antes das cinco batidas, ela é considerada vencedora.

Relembre lances do jogo em aúdio histórico da Jovem Pan!