Citado por Tite, Rodriguinho ainda mira Copa: “ele não se deixa levar pela imprensa”

  • Por Jovem Pan
  • 13/03/2018 11h01
Marco Galvão/Fotoarena/Estadão ConteúdoHá pelo menos um ano e meio Rodriguinho tem mantido certa regularidade com a camisa do Corinthians

“Lucas Lima, Diego, Luan, Giuliano e Rodriguinho estão brigando. O momento pode determinar a convocação”.

A declaração dada por Tite na última segunda-feira, minutos depois de anunciar a convocação para os amistosos contra Rússia e Alemanha, manteve vivo o sonho de Rodriguinho de disputar a Copa do Mundo de 2018.

Citado pelo treinador como um dos possíveis “ritmistas” que a Seleção procura para o Mundial da Rússia, o meia-atacante do Corinthians ainda acredita que pode ser chamado para o principal torneio de futebol do planeta. Não apenas pelo bom desempenho apresentado nos primeiros jogos de 2018, como também pela relação de confiança que possui com Tite, seu ex-comandante no Corinthians.

A expectativa foi revelada pelo próprio Rodriguinho, em entrevista exclusiva ao repórter André Ranieri, da Rádio Jovem Pan. Quando questionado se se sentia subestimado por não ter o nome especulado na Seleção, como costuma acontecer com Lucas Lima e Diego Ribas, o corintiano foi enfático.

“Eu acho que isso é muito coisa da imprensa… Mas eu sou muito tranquilo com relação a isso, porque o profissional que está comandando a Seleção é muito capacitado para não se deixar levar por isso. Eu conheço o Tite muito bem e sei que ele não se deixa levar por coisas da imprensa. Estou muito tranquilo com relação ao trabalho que estou fazendo, porque estou dando o meu máximo. Sei que, se for para eu ir à Seleção, será por merecimento. Tenho total confiança de que ele está observando todos de uma forma igual e optará pelo melhor.”

O meia-atacante, que soma dois gols em dez jogos na temporada, já foi convocado por Tite em duas oportunidades: para o jogo diante da Colômbia, que só contou com atletas que atuavam no Brasil, e para os amistosos contra Argentina e Austrália, no meio do ano passado. Se ele for chamado de novo, será para realizar o maior sonho de sua vida: o de disputar uma Copa do Mundo.

Qual análise você faz sobre o início de temporada do Corinthians?

“É um começo de ano satisfatório. Tivemos alguns tropeços, é verdade, mas mudamos a forma de jogar e parece que achamos um jeito de jogar. A equipe está correspondendo bem em jogos grandes. Tudo vai se encaminhando para que seja um ano bom. Espero que a equipe possa continuar nessa evolução.”

Você disse que o Corinthians está correspondendo bem em grandes jogos. Por que isso acontece?

“Eu acho que o comportamento que a equipe apresenta nesses jogos faz com que ela se torne ainda mais forte. Como a nossa equipe é muito organizada, consegue se sobrepor quando joga contra um adversário que vem medir forças e não apenas se defender.”

Qual é a importância do Carille nessa questão?

“Ele tem todo o mérito. É muito estudioso… Ele e a comissão avaliam e analisam bastante as equipes adversárias e mostram para a gente vídeos com os pontos fortes e fracos de cada uma delas. Isso faz com que a gente já entre nos jogos sabendo o que pode explorar e com o que tem de tomar cuidado.”

Você começou como um camisa 10 clássico, já jogou de segundo volante e agora é praticamente um atacante. Como essa transformação aconteceu?

“Eu fico feliz por poder ser esse jogador versátil, que pode jogar em diferentes funções. Aqui no Corinthians eu comecei com o Tite de segundo volante. Ele me falava que, por ter bom passe, eu poderia ir bem naquela função, só que teria de marcar um pouco mais. Eu me dediquei para melhorar essa parte, e, agora, o Carille me testou de uma nova forma, mais perto do centroavante. Aprimorei o meu cabeceio, para poder entrar na área e fazer gols, consigo finalizar com as duas pernas… São coisas que eu venho tentando trabalhar para ter um desempenho cada vez melhor.”

Você é ambidestro desde pequeno ou desenvolveu essa habilidade ao longo do tempo?

“Foi bastante treino… Desde pequeno, nas escolinhas de futebol lá em Natal, o meu professor, o Cacau, sempre trabalhou isso comigo. Eu tinha uma facilidade, é verdade, mas foi o treinamento que me levou a ter essa qualidade.”

Jogadores como Diego e Lucas Lima têm, hoje, um apelo muito maior na Seleção do que você. Você acha que é subestimado por não ser constantemente colocado nessa conversa?

“Eu acho que isso é muito coisa da própria imprensa… Mas eu sou muito tranquilo com relação a isso, porque o profissional que está comandando a Seleção é muito capacitado para não se deixar levar por isso. Eu conheço o Tite muito bem e sei que ele não se deixa levar por coisas da imprensa. Estou muito tranquilo com relação ao trabalho que estou fazendo, porque estou dando o meu máximo. Sei que, se for para eu ir à Seleção, será por merecimento. Tenho total confiança de que ele está observando todos de uma forma igual e optará pelo melhor.”

Você recentemente foi convocado para amistosos contra Colômbia, Argentina e Austrália. Como foi essa experiência?

“Foi incrível. Essa é palavra que melhor resume. Foi a realização de um sonho de criança, que me deu um sentimento muito grande de gratidão e felicidade por ter o meu trabalho reconhecido.”

Sobre o assunto Romero… Ele disse que sente um certo preconceito da imprensa brasileira por ser paraguaio. Como você, como brasileiro e companheiro dele, enxerga essa situação?

“É um assunto muito delicado. Mas o Romero, mais do que ninguém, tem de falar disso, porque é ele que sente na pele. Muitas vezes, uma brincadeira repetida diversas vezes acaba se tornando uma coisa chata. O Balbuena me mostrou algumas declarações, e, realmente, muitas vezes as pessoas acabam ultrapassando esse limite que existe entre a brincadeira e o preconceito contra um país.”