Da semifinal da Libertadores ao medo do rebaixamento: o 2016 do São Paulo

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2016 11h08

São Paulo foi eliminado da Libertadores

São Paulo foi eliminado da Libertadores

O ano do São Paulo pode facilmente ser dividido entre a “Era Edgardo Bauza” e a “Era Ricardo Gomes”. Com dois semestres completamente distintos, tanto no comando, quanto no desempenho e até nos destaques do time, o torcedor tricolor sentiu, na mesma temporada, a proximidade de mais uma Libertadores e de um inédito rebaixamento.

O começo do ano foi marcado por novidades no time do Morumbi. Além da contratação do argentino Edgardo Bauza, bicampeão da Libertadores, vieram também nomes como Maicon, Kieza, Kelvin, Calleri e aquele que deveria ser o novo líder do elenco após a aposentadoria de Rogério Ceni, Lugano. A confiança no trabalho de Bauza e seus comandados chegou a ser contestada até meados de abril, quando o São Paulo se viu eliminado nas quartas de final do Paulista pelo Audax e ameaçado de não avançar para as oitavas do torneio continental.

Porém a sorte do Tricolor começou a mudar justamente neste período, quando a vitória sobre o River Plate e o empate com o The Strongest garantiram o time paulista na fase seguinte, que seguiu com tranquilas vitórias em cima do Toluca-MEX e do Atlético-MG, até ser eliminado pelo Atlético Nacional-COL na semifinal, time sensação da competição e que viria a ser campeão na fase seguinte.

Além da eliminação, o meio do ano do São Paulo ficou marcado por um “mini desmanche”, que mudou os rumos da equipe no meio do ano. Contratado para atuar durante a Libertadores, Calleri acabou vendido para o West Ham. Paulo Henrique Ganso também deixou o time para atuar no Sevilla, na Espanha. Um dos poucos que o São Paulo conseguiu segurar foi Maicon, que custou R$ 22 milhões para o clube continuar com o “God of Zaga”.

Porém, a saída mais sentida foi do treinador Edgardo Bauza, que aceitou o desafio de comandar a seleção argentina. Para o seu lugar, o São Paulo trouxe Ricardo Gomes, que estreou exatamente no inicio do segundo turno, porém sem muito sucesso. Antes da sua primeira vitória, o time do Ricardo Gomes foi eliminado na Copa do Brasil pelo Juventude e caiu para a 14ª colocação no Brasileiro, bem próximo dos times que brigavam contra o rebaixamento.

Mesmo instável durante todo o segundo semestre, tendo alcançado apenas 7 vitórias nas 19 rodadas do returno, o São Paulo conseguiu se livrar do Z4 e ainda alcançar uma vaga na Copa Sul-Americana, principalmente por conta das atuações do chileno Andrés Chavez e do peruano Cueva, que ficaram atrás apenas de Calleri na artilharia do Tricolor na temporada. Quem também se destacou com Ricardo Gomes foram os garotos da base, como Luiz Araújo, Lucas Fernandes e David Neres, que chegou a marcar três gols no Campeonato.

Clássicos

O ano do São Paulo contra seus rivais pode ser considerado um reflexo do seu ano como um todo: instável, mas reservando algumas poucas alegrias para o torcedor. Ao todo, foram 5 derrotas, 2 empates e 2 vitórias. No primeiro turno do Brasileiro, o São Paulo conseguiu manter sua hegemonia sobre o Palmeiras no Morumbi ao vencer o alviverde por 1 a 0, mantendo assim um tabu de 14 anos sem derrotas para o Verdão em seu estádio. Mas a vitória mais comemorada certamente foi o 4 a 0 em cima do Corinthians, uma espécie de vingança do 6 a 1 que o Alvinegro aplicou no ano anterior. A goleada ainda contou com um gol de Cueva, responsável por um gol e três assistências no jogo.

Ânimos aquecidos

A torcida do São Paulo protagonizou dois momentos de revolta durante a temporada. A primeira foi após o primeiro jogo da semifinal da Libertadores contra o Atlético Nacional, quando torcedores confrontaram a polícia na saída do Estádio do Morumbi. A segunda aconteceu em agosto, quando a torcida organizada invadiu o treino do Tricolor no CT da Barra Funda em protesto à má fase do time na época. Jogadores como Michel Bastos e Wesley foram agredidos e houve relatos de furtos durante a invasão.

Perspectiva para 2017

Se 2016 foi um ano dividido entre a “Era Bauza” e “Era Ricardo Gomes”, 2017 promete ser o início da “Era Rogério Ceni”. O ex-goleiro e maior ídolo da história do clube foi anunciado às vésperas do fim do Brasileirão como treinador do Tricolor para a próxima temporada. Já sob sua influência, o São Paulo encaminhou as contratações de Wellington Nem e de Sidão, que assumirá a missão de substituir Denis no gol.

Além disso, o futuro treinador promete valorizar ainda mais os garotos da base. Além dos que já estão integrados ao time titular, é possível que Ceni observe os times do Sub-20, que nesta temporada foi campeã das principais competições da categoria: Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

Fora da disputa do torneio continental em 2017, a missão do São Paulo para a temporada é alcançar a vaga por meio das três competições que terá em seu calendário. O Tricolor poderá brigar pelo bicampeonato da Sul-Americana (último título de Ceni como jogador), pela inédita Copa do Brasil ou pelo Campeonato Brasileiro, que não é vencido pelo clube há oito anos.

Sem nenhum trabalho anterior como treinador, a referência que se tem de Rogério Ceni é o de capitão da equipe e é possível que esse perfil de liderança e a capacidade de unir a equipe sejam a marca do seu primeiro ano como técnico. Fica a dúvida de quanto tempo durará a paciência da torcida caso resultados negativos apareçam e se a diretoria conseguirá “blindar” o ídolo das críticas até o fim do seu contrato de duas temporadas.