Delegado diz que assassinato de Daniel ‘terminou com estrogonofe’

  • Por Jovem Pan
  • 20/02/2019 14h38
GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOAmadeu Trevisan acredita que assassinato não ocorreu de forma emocional

A defesa de Edison Brittes Jr., o Juninho Riqueza, diz que ele matou o jogador Daniel porque agiu de forma emocional. Mas o delegado que investigou o caso, Amadeu Trevisan, discorda desta tese. Ele entende que houve frieza no crime, porque depois de tudo, ainda aconteceu um almoço na casa da família Brittes, com presença de pessoas que viram toda a tortura.

“Não consegui entender a violenta emoção que durou três horas como um surto psicótico coletivo. Começou pela manhã e terminou com almoço de estrogonofe”, disse Amadeu, ao chegar no fórum de São José dos Pinhais para prestar depoimento à Justiça. Estão sendo realizadas audiências para julgar se os réus irão para júri popular.

A citação a esse almoço já tinha aparecido no inquérito do caso. Evellyn Perusso, que “ficou” com Daniel na madrugada do assassinato, revelou que alguns convidados da festa ajudaram a limpar a casa, que estava suja de sangue, e depois ela preparou o estrogonofe. Evellyn inclusive foi indicada como ré no caso, por fraude processual, mas está respondendo em liberdade.

Allana Brittes, filha de Juninho Riqueza, que comemorava o aniversário no dia do assassinato, também é acusada de fraude processual. Ela está presa junto com a mãe, Cristiane. Mas a defesa fez pedido de habeas corpus, que pode liberá-la em breve. Ela também responderá pelo crime de coação de testemunhas.

Amadeu Trevisan apontou outros detalhes do crime que mostram frieza nos atos de Juninho Riqueza. Ele destacou que Daniel foi torturado desde quando estava no apartamento e não acredita que a faca usada no crime já estava no carro: “ele disse que a faca estava no carro para cortar laranja. Acho improvável isso, pois na cidade não tem pé de laranja por aí”. Há relatos de testemunhas que viram Daniel pegar a arma na cozinha, antes de colocar Daniel no carro e levá-lo para o local do assassinato.

O caso Daniel

Ex-jogador do São Paulo e do Botafogo, Daniel foi encontrado morto, torturado e sem o pênis em São José dos Pinhais, em novembro de 2018. Edison Brittes Junior, também conhecido como Juninho Riqueza, assumiu o assassinato. Ele alega que fez isso porque encontrou Daniel tentando estuprar a esposa, Cristiana. As investigações indicaram que outras 3 pessoas participaram das agressões.

Portanto ao todo existem 7 réus: Juninho Riqueza, Cristiana Brittes, Allana Brittes (filha do casal, acusada por coação de testemunha e fraude processual), Evellyn Brisola Perusso (ex-ficante de Daniel, acusada por denunciação caluniosa e fraude processual) e os 3 acusados de agressão – Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King e David Willian Vollero Silva.

As audiências na 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais devem durar 3 dias, reunindo testemunhas de acusação, de defesa e também os reús. Depois a juíza vai determinar se os reús irão para júri popular ou não.