Borja é pior artilheiro do Paulista desde 1916 e escancara problema com centroavantes

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2018 10h00
Reprodução/ TwitterBorja nem foi ameaçado por outros centroavantes do Campeonato Paulista

Miguel Borja, do Palmeiras, terminou o Campeonato Paulista de 2018 como maior artilheiro, o que inicialmente parece um bom sinal para ele, que tinha jogado mal 2017 e se recuperou. Mas a quantidade de gols foi muito baixa: ele marcou apenas 7 vezes em 12 jogos. Desde 1916 um artilheiro do estadual não tinha tão poucos gols. E isso escancara uma falta de centroavantes de qualidade no futebol paulista.

Artilheiros do Campeonato Paulista já tiveram mais de 20 gols, mas isso foi no final do século passado, quando os estaduais tinham mais jogos. Na década passada, os artilheiros passaram a fazer cerca de 15 gols por competição. E recentemente os números caíram: Em 2014, quatro jogadores dividiram o prêmio, com 9 gols. Em 2015 e 2016, Ricardo Oliveira e Roger, respectivamente, marcaram 11. E em 2017 Gilberto e Pottker empataram com 9 gols.

Agora Borja piorou a situação: fez apenas 7 gols, mesmo com toda qualidade do setor ofensivo do Palmeiras. Jogou bem em algumas partidas, mas deixou a sensação de que poderia ter feito mais. E mesmo assim não teve a condição de artilheiro ameaçada, pois os segundos colocados (Matheus Peixoto, Bruno Moraes e Edmilson) só chegaram a 5 gols.

Voltando ao passado, quando o futebol paulista nem era totalmente profissional e havia diferentes ligas, é possível encontrar um artilheiro com a mesma quantidade de gols de Borja. Em 1916, jogando pela Liga Paulista de Futebol (LPF), Aparicio fez 7 gols pelo Corinthians. Menos do que isso só em 1913, quando seis atletas dividiram a artilharia da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), com três gols cada. Na era do futebol profissional todos artilheiros foram melhores do que Borja.

Isso não é um problema apenas para o Palmeiras. Na verdade é um retrato de como falta um centroavante para o futebol paulista. O Corinthians perdeu Jô, testou três atacantes na área e não conseguiu encontrar um substituto. O São Paulo tentou jogar com Diego Souza, um meia, na posição de centroavante. Tréllez virou titular nos últimos jogos, mas não mostrou qualidade para ser titular. Por isso o clube agora apostará as fichas no uruguaio Gonzalo Carneiro, recém-contratado. Já o Santos não tem jogado com um centroavante. Gabigol e Eduardo Sasha, jogadores de mobilidade e velocidade, revezam nessa função, mas não são goleadores natos. E além dos problemas nos quatro times grandes de São Paulo, os times do interior, que às vezes conseguem encontrar algum talento escondido, não conseguiram revelar nenhum centroavante desta vez.