São Paulo conquistou hexa há 10 anos, mas não conseguiu manter soberania

  • Por Jovem Pan
  • 07/12/2018 11h29
Fernando Bizerra Jr/EFECamisa "6-3-3" não precisou ser atualizada mesmo após 10 anos

Em 7 de dezembro de 2008, portanto há exatamente 10 anos, o São Paulo conquistou o hexacampeonato no Campeonato Brasileiro. Foi o terceiro título consecutivo nessa competição, então o clube passou a se denominar “Soberano”. A diretoria queria valorizar o domínio contra os adversários naquela época. Porém, em 2018, já ficou evidente que o Tricolor não conseguiu manter essa soberania. Nem dentro e nem fora de campo.

O hexacampeonato

Depois de conquistar 2 títulos com sobras, o São Paulo passou sufoco para conquistar o tri. O time não começou bem na disputa e terminou o 1º turno na 4ª colocação, 8 pontos atrás do líder. Mas a reação foi forte no 2º turno, então o Tricolor entrou na briga com o Grêmio.

Mesmo assim sobrou emoção para a última rodada. O São Paulo teve a chance de ser campeão em casa, contra o Fluminense, mas só empatou e decepcionou a torcida. O título só foi confirmado com uma vitória magra, por 1 a 0, contra o Goiás, fora de casa.

O gol decisivo foi de Borges. O técnico Muricy Ramalho escalou o time com Rogério Ceni; Rodrigo, André Dias e Miranda; Joilson, Richarlyson, Hernanes, Hugo e Jorge Wagner; Borges e Dagoberto. Três jogadores entraram durante a partida: Jancarlos, André Lima e Bruno.

O que veio depois

Em 2009, o São Paulo teve chances de ser tetracampeão. Chegou a ser líder do Brasileirão na 36ª rodada. Mas aquele time não tinha a mesma consistência e nem contava com Muricy Ramalho no comando. Acabou perdendo o título para o Flamengo.

Na década seguinte, no Brasileirão, o São Paulo só conseguiu 4 campanhas para se orgulhar (2012, 2014, 2015 e 2018), quando terminou nas 5 primeiras posições. Por outro lado, em algumas ocasiões, especialmente em 2017, o clube se preocupou com a zona de rebaixamento.

Internacionalmente, o São Paulo até conseguiu um título na Copa Sul-Americana de 2012, além de ter chegado na semifinal da Libertadores em 2010 e 2016. Mas também aconteceram algumas tragédias, como as eliminações recentes para Defensa y Justicia e Colón.

Já na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista o São Paulo acumulou fracassos, inclusive com eliminações vexatórias e derrotas frequentes para rivais.

O momento atual

A falta de títulos é o pior problema do São Paulo atualmente. Já são 6 anos sem levantar uma taça – ou 10, para quem não valoriza tanto a Sul-Americana. Com isso, o Tricolor paulista passou a ter o maior jejum de conquistas entre os maiores times do Brasil, empatado com o Fluminense. A camisa “6-3-3” (que ilustra os 6 títulos do Brasileirão, os 3 da Libertadores e os 3 do Mundial), lançada em 2008, segue atualizada em 2018.

Para piorar, o São Paulo viu os principais rivais crescerem muito nos últimos 10 anos. Corinthians e Palmeiras se alternam como campeões brasileiros desde 2015. O Timão foi campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes. E o Verdão passou a ter a melhor estrutura física e financeira do estado, coisas que pertenciam ao São Paulo dez anos atrás.

Tudo isso gera uma pressão fora do normal no Morumbi. E isso acaba atrapalhando em campo. O time sonhou com o título do Brasileirão em 2018, mas todo esse contexto gerou uma frustração enorme. O resultado foi o fim do trabalho de Diego Aguirre.

O presidente Leco deixou o futebol nas mãos de Raí, que vai manter André Jardine como técnico efetivo em 2019. Será uma aposta arriscada, em alguém que não tem experiência e precisará mostrar resultados rapidamente. O São Paulo não pode perder tempo para recuperar a soberania.