Há 25 anos, Brasil perdeu Senna, o super-herói que carregou a esperança de um povo carente

  • Por Alex Ruffo/ Jovem Pan
  • 01/05/2019 08h51
Alessandra Jarussi / Rádio Jovem PanFrança homenageia Ayrton Senna. Clique na foto e confira no blog Dentro e Fora das Pistas.

Em 1º de maio de 2019, completamos 25 sem Ayrton Senna nas pistas. Mas precisamos de apenas 10 para ver uma carreira intensa chegar ao Olimpo do automobilismo mundial.

Desde a estreia na Fórmula 1, em 1984, Senna já mostrou que não estava ali para ser coadjuvante de ninguém, mesmo dividindo o grid com grandes protagonistas do espetáculo, como Niki Lauda, Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell.

O primeiro cartão de visitas dele na Fórmula 1 foi entregue nas ruas de Mônaco, com um show de pilotagem na chuva, com a desconhecida Toleman. Ele só não venceu aquela prova porque Jean Marie Balestre, presidente da Fia, encerraria a corrida antes do final para favorecer o piloto francês, Alain Prost.

Ayrton Senna era um obstinado não somente pela vitória, mas pela perfeição. Venceu 41 corridas, subiu 80 vezes ao pódio, cravou 65 pole positions e conquistou 3 títulos mundiais, em 1988, 1990 e 1991. Tirava nosso nas madrugadas dos Grandes Prêmios do Japão e da Austrália. E nos acordava mais cedo naquelas inesquecíveis manhãs de domingo.

Com o maior carro da história da Fórmua 1, Senna levava no seu cockpit 200 milhões de brasileiros para disputarem junto com ele a freada com Alain Prost no GP do Japão, em 1990, para dificultar a vida de Nelson Piquet em 86, na Hungria, e para segurar o leão Nigel Mansell nas ruas de Monaco em 92, quando o brasileiro chegou à sua 5ª vitória nas ruas do principado. No ano seguinte ele foi coroado como o “Rei de Mônaco”, com 6 vitórias no quintal do Príncipe Ranier.

Indiscutivelmente o piloto mais rápido de todos os tempos, Senna teria na sua carreira a mesma velocidade meteórica de grandes ídolos do passado. Foi assim com James Dean, que em menos de 1 ano revolucionou o estilo de uma geração. Mas seria apenas esse “efeito James Dean” responsável por Senna receber da revista Autosport inglesa o título de “melhor piloto de todos os tempos”?

Nada disso. Antes mesmo do nosso tricampeão mundial deixar as pistas, a Fórmula 1 assistia à invasão de um verdadeiro exército de jornalistas brasileiros para a maior cobertura já vista na história de um piloto. Éramos 21 , das mais diversas mídias de imprensa do brasil, presentes em todas as provas do calendário.

O brasileiro não cultua o esporte. Cultua o super-herói. E Ayrton era um super-herói que derrotava seus adversários na pista de corrida, utilizando os super poderes de sua pilotagem. Com a capa de super-herói, salvou o piloto Erik Comas durante os treinos do GP da Bélgica, em 92. Sem ela, venceu pela primeira vez o GP do brasil em 1991, com apenas a 5ª marcha, submetido à um esforço físico sobrenatural pra cruzar a linha de chegada em primeiro. Naquele momento, o super-herói mostrava pros seus fãs a sua fragilidade como ser humano, que, como qualquer brasileiro, precisava lutar muito pra atingir seus objetivos.

Senna levantou literalmente a bandeira brasileira nas suas conquistas e, junto com ela, a esperança de um povo carente por conquistas, que se identificava com ele nos momentos mágicos daquelas manhãs de domingo.

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