Decisão do STF sobre Justiça Eleitoral ‘fecha a janela do combate à corrupção’, diz Deltan Dallagnol

  • Por Jovem Pan
  • 14/03/2019 21h44
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilProcurado tem opinião contrária ao que decidiu a Suprema Corte nesta quinta

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol afirmou em rede social que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a competência exclusiva da Justiça Eleitoral para julgar casos de crimes comuns em que houver crime eleitoral envolvido, começa a “fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há 5 anos”. O julgamento terminou nesta quinta-feira (14).

“Hoje, começou a se fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há 5 anos, no início da Lava Jato”, escreveu, no Twitter, no meio da tarde, na expectativa de uma possível derrota no STF.  Ele e outros procuradores criticaram a possibilidade nos últimos dias. Pelo julgamento, todo caso de corrupção e lavagem de dinheiro que envolver também caixa 2 eleitoral deve sair da Justiça Federal e ser enviado à Justiça Eleitoral.

Ministro diz que condenações podem ser anuladas

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta que a decisão da Corte sobre a competência da Justiça Eleitoral pode levar à anulação de condenações. Na teoria, isso só ocorreria se ficar entendido que o juiz federal julgou alguém pelo crime de caixa dois, por exemplo, o que levaria a função de análise à Justiça Eleitoral.

O ministro ressaltou, no entanto, que nesses casos o andamento do processo não é anulado, e pode ser aproveitado por outro magistrado que analisar a investigação posteriormente. “Porque nós temos já elementos coligidos no processo. Então esses elementos que servem à instrução criminal são aproveitados”, disse ele, que votou pela competência da Justiça Eleitoral processar os delitos eleitorais e conexos, como corrupção e lavagem.

Questionado sobre se sentenças poderiam ser anuladas, Marco Aurélio respondeu que sim. “Essas [decisões] podem ser afastadas ante a incompetência absoluta do órgão que a prolatou”, entendeu o ministro. De acordo com ele, as investigações serão “inabaladas” pelas mudanças de competência. “Os elementos coligidos serão respeitados. Os elementos juntados nos autos, processos, serão respeitados”, disse.