Deputada diz que Greenwald ‘deveria ser preso’ e ‘respeitar a Câmara, que é a casa do povo’

  • Por Jovem Pan
  • 25/06/2019 17h12
Vinicius Loures/Câmara dos DeputadosGreenwald respondeu: "Vossa excelência está acusando sem evidência nenhuma

Uma discussão ocorreu durante a participação do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, na audiência da comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (25) quando a deputada federal Katia Sastre (PL) estava com a palavra.

Katia afirmou, em relação ao ministro da Justiça Sergio Moro, um dos centros da discussão, que “ninguém consegue enxergar o crime [de Moro] portanto, ele não responde a nada”. Segundo ela, “o ministro não precisa pedir apoio de ninguém, porque tem apoio do povo brasileiro”.

“Quem tem que sair preso aqui é quem cometeu um crime, e invasão de conversas públicas, isso sim é crime”, disse a deputada federal para Greenwald. “O senhor deveria respeitar e não vir aqui afrontar essa casa, porque essa casa é do povo”, completou.

Greenwald respondeu Katia agradecendo “a coragem da deputada de acusá-lo na cara dele, diferente da grande maioria das pessoas do partido do governo [PSL], que está fazendo isso atrás do computador”.

“Qualquer pessoa percebeu que ela expressou muitas acusações graves, que eu cometi crimes, que devo ser preso quando sair daqui. Falta evidência específicas no discurso dela. Gostaria de falar diretamente para vossa excelência que ninguém tem medo destas táticas. Vossa excelência está acusando sem evidência nenhuma”, afirmou Greenwald.

Katia rebateu: “Eu não estou acusando, foi um exemplo do mesmo jeito que ele [Greenwald] deu do ministro Moro.”

Sobre o material

O jornalista disse também que ficou “chocado” quando recebeu os documentos e leu os supostos diálogos entre Moro e os procuradores da Operação Lava Jato. De acordo com ele, nos Estados Unidos [seu país de origem], “é impensável que um juiz consiga fazer isso”.

Ele defendeu que “as maiores revelações jornalísticas dos últimos tempos foram feitas a partir de arquivos roubados, como no escândalo do Pentágono e durante a Guerra ao Terror, quando jornalistas receberam materiais ilegais e os publicaram”.

“Já mostramos isso mas vai ter muito mais material que vai mostrar isso ainda. A força-tarefa [da Lava Jato] tratou ele [Moro] como um chefe deles e ele se comportou não como um juiz, mas como um chefe”, afirmou.