Discussão entre Maia e deputado encerra votação da MP dos ministérios

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2019 16h25
Luis Macedo/Câmara dos DeputadosO adiamento da votação pode ter colocado em risco a validade da MP que vence no dia 3 de junho

A sessão desta quinta-feira (9) da Câmara dos Deputados, que votaria a medida provisória que altera a organização dos ministérios, foi suspensa sem nenhuma conclusão após uma discussão entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o deputado Diego Garcia (Podemos).

Desde ontem, partidos de centro e direita costuravam um acordo com Maia para que a medida fosse votada na sequência de sua aprovação na comissão mista do Congresso, da forma como fosse aprovada pelo colegiado. No caso, ela seria aprovada hoje com a mudança do Coaf do Ministério da Justiça para a Economia.

Logo depois que Maia abriu os trabalhos, o deputado Garcia fez um pedido de questão de ordem para que fosse respeitada a disposição das outras medidas provisórias que já estavam na fila do plenário. “As medidas provisórias devem ser apreciadas seguindo a ordem de trancamento da pauta, e não pode o presidente se valer desse momento. Isso é desleal com o Parlamento e com os parlamentares desta Casa”, disse.

O presidente da Câmara respondeu, irritado, que o deputado “não teria o direito de o chamar de desleal” e suspendeu a votação. “Vossa excelência não tem o direito de me chamar de desleal, nunca fui desleal, e agora vossa excelência acabou de derrubar a MP 870”, afirmou.

Após encerrar a sessão, Maia declarou que “tem muita medida provisória ainda e essa (dos ministérios) vence só daqui quatro semanas. Como a base ainda está muito desorganizada, vai ter de ter uma organização rápida da base para poder organizar e superar todas as que estão para chegar na MP 870”.

“Já vi governo votar 30 MPs aqui em um dia, no governo Lula, é um trabalho que o governo vai ter de fazer. Eu estava disposto a tentar construir um acordo, tendo uma votação desse tema que parece polêmico, uma é a questão do Coaf e outra da Receita, duas votações, tínhamos de andar rápido e aí veio a questão de ordem”, falou. “E no momento que a própria oposição aceitava não obstruir, aceitava votar nominalmente os dois destaques, ganhando ou perdendo. Infelizmente não foi possível”, concluiu Maia.

Ele afirmou que é importante que a Câmara faça um esforço para votar todas as medidas provisórias e deu destaque a MP do saneamento. “Acho que agora é diálogo para podermos avançar”.

O adiamento da votação pode ter colocado em risco a validade da MP que vence no dia 3 de junho. A manobra abriu espaço para que a oposição tente obstruir as próximas sessões e tente reverter pontos dos quais é contra. A MP dos ministérios seria a primeira do governo Jair Bolsonaro a ser aprovada pela Câmara. As demais que estão “na fila” são do governo anterior.

* Com informações do Estadão Conteúdo