Em carta, ex-presidentes do IBGE criticam gestão atual e redução do Censo

  • Por Jovem Pan
  • 15/07/2019 18h54
Divulgação/IBGEO corte no questionário da pesquisa foi anunciado pela presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, no fim de maio

Cinco ex-presidentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgaram nesta segunda-feira (15) uma carta de protesto à gestão do órgão no atual governo, principalmente em relação à redução do questionário do Censo Demográfico 2020. Eles acusam a direção de improvisação e alertam para o risco de o próximo levantamento deixar de fora 10 milhões de domicílios.

“A atitude do atual governo, secundada por seu ministro da Economia e não refreada pela atual presidente do IBGE, tem sido de dúvida e de negação à capacidade de concepção e realização do Censo 2020 por este que é um dos órgãos de mais irretocável reputação e confiabilidade do Estado brasileiro”, traz a carta, endereçada às lideranças do Congresso, municipais e empresariais.

O documento foi assinado por líderes do instituto em diferentes governos: Eurico Borba (presidente em 1992 e 1993), Eduardo Nunes (de 2003 a 2011), Wasmália Bivar (de 2011 a 2016), Paulo Rabello de Castro (em 2016 e 2017) e Roberto Olinto (de 2017 a 2019).

O corte no questionário da pesquisa foi anunciado pela presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, no fim de maio. Além de reduzir o número de perguntas, o governo diminuiu o orçamento do Censo, de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões. Com as medidas, alguns funcionários entregaram seus cargos.

Na carta, os ex-presidentes pedem a mobilização da sociedade para evitar as mudanças no Censo. Eles destacam que prefeitos, vereadores e deputados recorrem ao IBGE com frequência pedindo a atualização dos dados da população dos seus municípios. Essas informações são consideradas no cálculo de repartição de impostos no Brasil.

Olinto destacou que já existe uma proposta de revisão do Censo elaborada durante três anos por técnicos do IBGE. Já Bivar criticou o fato de uma única pessoa, a atual presidente do instituto, propor individualmente um questionário sem ouvir os funcionários técnicos. “Nos parece improvisação. Isso jamais aconteceu”, acrescentou. Para Rabello de Castro, a intenção do atual governo é “ideológica, para acabar com a inteligência brasileira”.

De acordo com Olinto, a condução das pesquisas pela atual direção tem desqualificado o instituto de estatística. “A Pnad Contínua virou uma lixeira das pesquisas, não tem sustentação para tanto. Não é a mais adequada, por exemplo, para discutir o autismo”, afirmou, em resposta ao posicionamento de Susana Guerra de que utilizará a pesquisa para levantar informações sobre o autismo.

Segundo os ex-presidentes, o orçamento do Censo 2020 é insuficiente. Eles avaliam que o Censo demográfico está sendo resumido a uma contagem da população. Os afetados, de acordo com o grupo, serão os ministérios que devem ser impossibilitados de planejar o futuro.

* Com informações do Estadão Conteúdo