Márcio França descarta transferir cúpula do PCC para presídios federais

  • Por Nicole Fusco e Victor Moraes
  • 09/11/2018 16h58
Victor Moraes/Jovem PanO governador de São Paulo, Márcio França (PSB), descartou a ideia de transferir a cúpula do PCC para presídios federais

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), descartou realizar a transferência de presos da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que estão no presídio de segurança máxima de Presidente Vanceslau, no interior do estado, para presídios federais. Segundo ele, é preciso ter cautela, pois experiências anteriores mostraram que medidas como essa provocaram “reações”.

“É preciso que as ações sejam tomadas com cautela porque se você faz, depois você fica responsável [pelas consequências]”, disse em entrevista concedida após cerimônia na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na Zona Norte da capital paulista. França afirmou ainda que não tem “nenhum constrangimento” em pedir ajuda federal. “Se tivermos necessidade, certamente o Brasil nos ajudará, assim como São Paulo já ajudou o país ao receber presos federais. Hoje, não há essa necessidade”, assegurou.

Desde o início do mês, a Polícia Militar reforçou o efetivo e conta com metralhadoras para os policias que trabalham no perímetro da Penitenciárias 2 de Presidente Vanceslau. O objetivo é proteger o entorno da prisão onde está a cúpula do PCC e evitar um suposto resgate de um dos líderes da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola.

“Qualquer tipo de alteração é sempre uma decisão judicial e não uma decisão administrativa”, disse Márcio França. De acordo com o governador, medidas duras como essa cabem numa situação de rebelião. “Tem uma série de coisas que você só vai endurecendo quando há um ato formal de rebeldia ou de rebelião, de indisciplina”, continuou França. “Já tivemos experiencias assim em outros momentos que produziram reações. Não se pode ignorar isso. É preciso que as ações sejam tomadas com cautela.”

O plano

No dia 1° de novembro, uma investigação comandada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil apontou que o PCC estava se preparando para tentar resgatar Marcola e outros chefes da facção criminosa. Condenado a 232 anos e 11 meses de prisão, Marcola responde pelos crimes de formação de quadrilha, roubo, tráfico de drogas e homicídio.

De acordo com as apurações, a organização gastou cerca de R$ 100 milhões na contratação de mercenários, além de armas de grosso calibre e duas helicópteros. O plano estaria sendo tramado por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, um dos maiores narcotraficantes da América do Sul.

No último dia 6, a Polícia Militar enviou metralhadoras MAG, calibre 7,62 milímetros, para agentes da corporação que atuam no presídio de Presidente Vanceslau. A PM também negocia o empréstimo de metralhadores calibre .50 do Exército.