Moro critica ‘sensacionalismo’ em cima de vazamentos de mensagens: ‘Não tenho nada a esconder’

  • Por Jovem Pan
  • 19/06/2019 09h48
Aloisio Mauricio/Estadão ConteúdoMinistro disse que parou de usar o Telegram em 2017 e não tem mais as mensagens divulgadas

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse nesta quarta-feira (19) que se ofereceu para ir voluntariamente até a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal para esclarecer  o vazamento da troca de mensagens  entre ele e o procurador Deltan Dallagnol já que “evidentemente não tem nada a esconder”.

Moro criticou, diversas vezes, o “sensacionalismo sendo criado em cima dessas notícias”, mas disse que não pode afirmar se ele realmente digitou ou não o conteúdo daquelas conversas. O ministro afirma que parou de utilizar o aplicativo Telegram, do qual as mensagens foram supostamente copiadas, em 2017, e por isso elas não estão mais em seu celular.

“Eu não tenho mais as mensagens para afirmar se são autênticas ou não. Tem coisas que eventualmente posso ter dito, mas outras me causam estranheza”, disse, acrescentando que, “mesmo que tenham coisas verdadeiras, elas podem ter sido total ou parcialmente adulteradas para caracterizar uma situação de escândalo que, no fundo, é inexistente.”

O ministro questionou a divulgação das conversas. Para ele, a publicação “viola as regras básicas do jornalismo”, uma vez que sua autorização não foi pedida e está “carente de demonstração de crime”. Moro disse que, por mais que as mensagens possam ter sido manipuladas ou que ele não saiba, ao certo, quais realmente escreveu, ele – e outras autoridades que as leram – “podem assegurar” que não há nenhuma espécie de infração em seu conteúdo.

“Se há crime, por qual motivo o site não apresentou as provas para as autoridades?”, provocou, enfatizando que a divulgação dos diálogos não tiveram como fim o interesse público, mas sim a criação de um “sensacionalismo”.

Ataque hacker

Ao contar sobre o hackeamento de seu aparelho celular, Moro ressaltou que entregou prontamente seu celular para investigação da Polícia Federal e que “não tem nenhum receio a respeito do que tem dentro do aparelho”.

Ele afirmou que a invasão de celulares de juízes, procuradores e, principalmente, de um ministro, é uma infração grave que “não foi cometida por um adolescente cheio de espinhas”, mas sim por um grupo criminoso organizado.

Para o ministro, o objetivo da invasão e da divulgação das supostas conversas podem ter como objetivo invalidar condenações já finalizadas por corrupção ou lavagem de dinheiro, ou até mesmo desestabilizar futuras investigações em andamento, que podem contar com nomes de “possíveis poderosos”. Ele classificou o ato como “revanchismo” com quem estava enfrentado a corrupção e aplicando a lei de forma imparcial e também elencou como motivo para o hackeamento a desestabilização das instituições brasileiras.

“Fique surpreendido pelo nível de vilania, baixeza e ousadia criminosa dos responsáveis pelos ataques”, disse. “A invasão do aparelho de um ministro da República não serve para interesse público, mas sim para minar os esforços e conquistas contra a corrupção feitas ao longo desses anos, que não são de um grupo, mas sim conquistas de toda a sociedade brasileira”, finalizou.

Entenda

O ministro participa, hoje, de uma audiência na CCJ. O objetivo da sessão é o esclarecimento das supostas conversas em que ele e Dallagnol trocam informações sobre detalhes da investigação da Operação Lava Jato. Acompanhe ao vivo.

A presença do ministro é voluntária. Foi ele quem se ofereceu para dar explicações sobre o conteúdo dos diálogos vazados pelo site The Interept Brasil, que teriam acontecido entre 2015 e 2018. Na época, Moro era o juiz do caso que, entre outros, condenou o ex-presidente Lula.