‘Objetivo claro é libertar Lula’, diz procurador sobre vazamento de conversas

Para o procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, não há risco de nulidade dos processos decorrentes da ação

  • Por Jovem Pan
  • 18/06/2019 08h41
Estadão ConteúdoO procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR)

O procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR), afirmou que o vazamento de conversas atribuídas ao ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e a procuradores da República faz parte de um plano cujo ‘objetivo claro’ é libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ele, no entanto, não há risco de nulidade dos processos decorrentes da operação. “Não há, juridicamente, a menor possibilidade. Não se pode considerar que notícias de um órgão de imprensa vinculado ideologicamente com os interesses de condenados, sejam consideradas provas de qualquer coisa, salvo da vontade de libertar Lula”, disse.

“Cadê os arquivos? Como foram recebidos? Houve manipulação? É possível fazer perícia? Qual é a participação da Intercept no crime? O material não tem valor. Prova por notícia?”, questionou Santos Lima.

O procurador aposentado também negou que o suposto vazamento de conversas seja um risco para a Lava Jato. “A Lava Jato provou que a política brasileira se financia com o crime. Usa da corrupção para financiar campanhas eleitorais milionárias, para controlar estruturas partidárias e para os bolsos próprios, naturalmente. Nada disso mudou. As provas continuam aí. A crise é artificial, uma farsa”, declarou ele.

Santos Lima classificou o ataque como “covarde e criminoso”, que foi “perpetrado por uma organização criminosa que, valendo-se de um jornalista ideologicamente comprometido e leniente, consegue criar esse falso drama com conversas pinçadas segundo o objetivo claro de libertar Lula“.

Citado pelo site The Intercept Brasil em supostas conversas com Sergio Moro, ele disse que não reconhece as mensagens divulgadas. “Creio que o ‘órgão jornalístico’ [The Intercept Brasil] deve explicação de como teve acesso a esse material de origem criminosa, e quais foram as medidas que tomou para ter certeza de sua veracidade, integridade e ausência de manipulação”, afirmou Santos Lima. “A liberdade de imprensa não cobre qualquer participação de jornalistas no crime de violação de sigilo de comunicações.”

Ele afirmou, ainda, que a discussão sobre se houve uma relação ilegal entre juiz e acusação, é “sem sentido”. “A relação entre juiz e procuradores, delegados e advogados se dá diuturnamente. Questões procedimentais, exposição de pontos de vista e explicação de futuros pedidos são comuns. Somos todos conhecidos, não amigos, de mais de 20 anos. Não há nada de irregular nas conversas. Essa é a prática judiciária”, disse. “Observo, novamente, que não se pode atestar que essas conversas não tenham sido editadas.”

“A questão está sendo tratada com certo farisianismo. Informar estado de investigações é necessário para explicar pedidos cautelares”, continuou Santos Lima. “O juiz reclamar das partes e de suas decisões acontece direto, inclusive em audiência. Quantas vezes fui conversar com juízes sobre liminares e eles disseram simplesmente: ‘Nem gaste saliva, doutor, a decisão liminar sai ainda hoje’. Isso acontece com a defesa também”, explicou.

Santos Lima disse que recebeu com “incredulidade” os pedidos de afastamento de Moro e do coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol. “Considero que há muitos garantistas de fachada, que se valem de supostas conversas criminosamente obtidas para fazer valer seus interesses. Tudo é cercado de muita hipocrisia. Tudo é dirigido para soltar Lula. Será que o triplex não existiu? Que não houve corrupção na Petrobras?”, ironizou.

*Com informações do Estadão Conteúdo