Para Mansueto, ‘governo gasta muito, mas não consegue reduzir a desigualdade’

  • Por Jovem Pan
  • 07/05/2019 15h28
George Gianni/PSDBMansueto afirmou que a reforma da Previdência é o primeiro passo para resolver problemas, mas não é a única solução

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que o “governo gasta muito, mas não consegue reduzir a desigualdade social”, em debate feito nesta terça-feira (7) sobre o estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele afirmou ainda que a Previdência “é muito importante, mas não é a melhor forma de fazer justiça social”.

Mansueto lembrou que 90% do crescimento das despesas primárias no Brasil se deu por conta de programas de transferência de renda, principalmente a Previdência. “O governo gasta muito, mas não consegue reduzir a desigualdade. Previdência é muito importante, mas não é melhor forma de programa social”, falou.

A pesquisa do BID, chamada de Melhores Gastos para Melhores Vidas, publicada nesta terça, faz parte de série de estudos denominada Desenvolvimento nas Américas.  Um dos problemas identificados foi o fato de as transferências de renda serem “pró-rico”, com aposentadorias maiores para quem ganha mais e subsídios para empresas, entre outros. Segundo o estudo, os gastos públicos ineficientes no Brasil geram prejuízos de US$ 68 bilhões por ano ou 3,9% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB).

O secretário concordou com o diagnóstico apresentado, mas ressaltou que há desafios adicionais para o Brasil, como o engessamento do Orçamento, que tem 94% de despesas obrigatórias.

“Se falhar no controle das despesas obrigatórias, em especial da Previdência, vai ser muito difícil ter ajuste fiscal, seja no âmbito federal ou dos estados”, declarou. Ele explicou que a reforma é, sim, “o primeiro passo para começar a resolver vários outros problemas”, mas que não é a única solução.

De acordo com Mansueto, entre as mudanças que precisam ser feitas, há questões como o salário alto de entrada no serviço público e a carreira de servidores “muito curta”, com os funcionários chegando ao topo ainda em poucos anos. Além disso, ressaltou que houve falhas para deixar a situação fiscal mais transparente, mas que o Tesouro “está trabalhando nisso”.

* Com informações do Estadão Conteúdo