Procurador que pediu absolvição de Lula tem “histórico” com o PT

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2017 18h15
Lula é acusado de ter atuado ativamente na tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró.

O procurador federal Ivan Claudio Marx já tinha solicitado em julho passado o arquivamento da investigação aberta contra o ex-presidente para apurar suposta articulação de Lula, junto com membros do Senado Federal, para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Ele alegava que não é possível comprovar uma citação feita pelo ex-senador e delator Delcídio Amaral ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ocasião, Marx deu a entender que Delcídio citou Lula para obter mais benefícios no acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal, como uma espécie de “barganha” e lembra que Delcídio estava preso antes da delação.

O senador cassado havia dito que foi convidado por Lula para uma reunião com os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Renan Calheiros (PMDB-AL) no Instituto Lula, em São Paulo, no ano de 2015 e que o objetivo era tentar obstruir o andamento dos casos relacionados à megaoperação. Renan e Lobão negaram ter tratado desse assunto com Lula. Após ouvir os três senadores, o procurador entendeu que não havia elementos de corroboração. Ele não achou necessário ouvir o ex-presidente “em razão de que obviamente não produziria provas contra si próprio”.

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O procurador também foi o autor de um parecer favorável à ex-presidente Dilma Roussef no caso das “pedaladas” fiscais em Julho de 2016. Marx entendeu, na ocasião, que as “pedaladas” não constituíam uma infração penal, mas sim um delito civil – o de improbidade administrativa.

Nesta sexta-feira, Marx foi o autor de um pedido para que a Justiça Federal absolva o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da acusação de ter atuado ativamente na tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró. Como consequência, o MPF também pediu que o acordo de delação do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido – MS) seja invalidado em função de depoimentos que o MPF chama de falsos.