Reale Júnior elogia sentença de Moro sobre Lula: “extremamente detalhista”

  • Por Jovem Pan
  • 12/07/2017 15h38
Fernando Bizerra/Agência SenadoJurista Miguel Reale Jr

O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), afirmou nesta quarta-feira (12) que a decisão do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá é “extremamente detalhista” e que nela “não existe posição subjetiva ou particular”.

“A prova documental é examinada com muito detalhe, assim como a testemunhal. Não existe posição subjetiva ou particular. Inúmeras questões são examinadas em detalhe. Houve um exame muito cuidadoso do processo (…). O conjunto probatório é extraordinário. Irrespondível, a meu ver. A aplicação da pena também é feita com muita moderação, não há nenhum exagero”, afirmou à Jovem Pan.

Reale Júnior criticou ainda o argumento dos defensores do petista de que a condenação seria “política” e “sem provas”. “Basta examinar as provas! O juiz Moro mostra até rasuras contratuais indicativas de que a propriedade era do casal. Mostra provas de que não houve desistência do outro apartamento, que estava reservado para ele. Há menções internas na OAS, há encontros no apartamento entre diretores e Lula, há troca de mensagens contínuas entre diretores e fornecedores para a manutenção do apartamento. O fato de não haver escritura é um detalhe que, na verdade, vem contra o réu e não a favor dele”, completou.

O jurista acredita que, diante da situação, Lula não deverá ser candidato à presidência da República nas próximas eleições e, caso seja, não deverá ter boa aceitação perante os eleitores. “Isso tem um impacto imenso. Como alguém que foi condenado a 9 anos e está aguardando o resultado de outros processos ainda vai se apresentar candidato? Não dá para se fazer de vítima. Será mesmo que o país não tem outro candidato?”, questionou.