Segurança de promotor é reforçada após ameaça do PCC; força-tarefa é montada pelo Ministério Público

  • Por Jovem Pan
  • 10/12/2018 20h00
ReproduçãoBilhetes do PCC foram apreendidos com companheiras de presos no interior de SP

A segurança do promotor Lincoln Gakiya foi reforçada após a divulgação de uma ameaça feita a ele pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público de São Paulo montou uma força-tarefa para investigar o caso. Considerado referência no combate ao crime organizado, Gakiya é autor de denúncias contra membros da facção.

Por causa de sua atuação contra o PCC, o promotor já contava com escolta, segundo o MP. “O promotor já está devidamente amparado, com toda a segurança necessária para que continue o exercício regular do seu trabalho”, afirmou nesta segunda-feira (10), o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio.

O chefe do Ministério Público estadual também disse que a instituição não seria “intimidada” com as ameaças. “Se sair um promotor, entram outros. E se saírem esses outros, entram outros. Ou seja, nós sempre teremos promotores realizando o trabalho contra o crime organizado. Se for necessário, serão 2 mil promotores ou promotoras atuando.”

Salve

A polícia prendeu duas companheiras de presos da Penitenciária 2 de Presidentes Venceslau (SP) no domingo (9). Elas estavam com uma carta com ameaças a Gakiya e ao coordenador de presídios dessa região do interior paulista, Roberto Medina. Na P2, como é conhecida a prisão, cumpre pena o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O “salve” – como são chamados os comunicados do comando da facção –  foi decodificado pela polícia. As anotações indicavam que seria mais fácil matar Medina: “Dá pra fazer ele a hora que quiser. Nóis já tem o carro e o orário tudo tudo dele (sic)”. Já Gakiya teria uma vantagem: “A cidade dele é bem maior”.

O segundo “pronunciamento” dos líderes do PCC indicava que a missão de matar as duas autoridades seria cumprida por um setor chamado de “sintonia restrita”, que foi responsável por assassinatos de integrantes do sistema penitenciário federal em 2016 e 2017. “Se o amigo aqui for para a federal, essa situação tem se ser colocada no chão”, diz o bilhete.

O “salve” estaria se referindo à possível transferência de líderes do grupo criminoso para unidades de segurança máxima. Para Smanio, esse não seria o único motivo. “Só no ano passado, [houve] mais de 77 operações contra o crime organizado. Prendemos mais de 1,2 mil e recuperamos mais de R$ 12 milhões. Evidentemente, isso traz represálias.”

*Com informações do Estadão Conteúdo