Sem aviso prévio, prefeitura de São Paulo suspende 20% dos pagamentos do auxílio-aluguel

Segundo o secretário de Habitação, medida é provisória. Cerca de cinco mil famílias foram afetadas.

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2019 21h37
Arquivo/Agência BrasilO programa consiste em pagamentos de R$ 400 mensais para famílias em situação de "alta vulnerabilidade"

A prefeitura de São Paulo suspendeu, nesta segunda-feira (22), cerca de 20% dos 26 mil pagamentos mensais do programa auxílio-aluguel após constatar supostos indícios de irregularidades nos benefícios. Cerca de cinco mil famílias foram atingidas.

O programa consiste em pagamentos de R$ 400 mensais para famílias em situação de “alta vulnerabilidade”, que perderam suas casas por viverem em situação de risco ou foram deslocadas para dar lugar a programas de urbanização. Segundo o secretário municipal de Habitação, João Farias, a suspensão, divulgada pela rádio CBN, é de caráter provisório.

Ela foi decidida após um pente-fino, feito a pedido da gestão Bruno Covas (PSDB), no local de saques dos benefícios: eles estavam sendo retirados em agências bancárias de fora da cidade de São Paulo. A maioria dos casos foi na cidade de Embu das Artes, cidade vizinha à capital, mas havia retiradas no interior de São Paulo e até em Estados do Nordeste do país, sendo que um dos critérios é residir na cidade de São Paulo.

O caráter provisório, explica Farias, se dá pelo fato de que o pagamento poderá ser normalizado caso a família atingida pela suspensão comprove que não fazia mau uso do benefício. “Mas posso lhe garantir, pela minha experiência, que o número será baixo. A pessoa que fez quatro, cinco saques neste ano em Pernambuco não estava lá de passagem”, disse o secretário.

Ele também justifica o corte imediato, sem aviso prévio, com o fato de que a suspensão não é definitiva. “Não havia tempo hábil de comunicar as famílias, uma vez que o próximo pagamento já é em 1º de agosto”, afirmou. Farias declarou, ainda, que fará um recadastramento total do programa este ano, exigindo comprovante de endereço.

Questionado sobre a possível impossibilidade de muitas dessas famílias de apresentar tal documento, diante da série de situações de informalidade que cercam a habitação popular (como aluguel de barracos, quartos em cortiços etc.), o secretário informou que “uma declaração da pessoa”, ou seja, do locador, bastaria.

Pagamentos seriam usados para pagar taxas cobradas em ocupações

Há mais de dois anos, técnicos da prefeitura já haviam identificado no programa do auxílio-aluguel um combustível para as ocupações de prédios abandonados no centro da cidade. O benefício era usado para esses cidadãos pagarem as taxas cobradas nas ocupações, que custeiam os serviços de condomínio, o que, segundo Farias, “é ilegal”.

Além de identificar pagamentos feitos em outras cidades, o pente-fino feito nos pagamentos revelou saques “picados” do benefício, de R$ 80, R$ 70 e até R$ 10″. Essas famílias não tiveram pagamentos suspensos, mas ficaram na mira da secretaria, uma vez que a avaliação é que os pagamentos possam estar sendo desviados para outros fins.

O secretário da Habitação disse que, ao menos desde 2008, não havia recadastramento para o programa e que o objetivo da ação é retirar pagamentos indevidos para conseguir incluir outras famílias que têm necessidade (e direito) ao benefício, mas que não os recebem por causa das restrições no Orçamento. O programa consome cerca de R$ 125 milhões por ano.

* Com informações do Estadão Conteúdo