Site diz que Deltan disciutiu caso de Flávio Bolsonaro em grupos no Telegram

  • Por Jovem Pan
  • 21/07/2019 14h33
Fernando Frazão/Agência Brasil Procurador teria demonstrado preocupação com possibilidade de dar entrevistas

O The Intercept Brasil publicou, neste domingo (21), uma nova reportagem com diálogos atribuídos a Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato. Desta vez, o site divulga supostas mensagens do procurador, que teria concordado com a avaliação de outros colegas do Ministério Público Federal (MPF) de que o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o senador Flávio (PSL-RJ), estaria envolvido em um esquema de corrupção.

Nas conversas, que supostamente ocorreram em 8 de dezembro de 2018, Deltan teria afirmado que “certamente” Flávio, na época deputado estadual, mantinha o esquema, mas que ele tinha dúvidas sobre como Moro atuaria no caso, uma vez que, com Bolsonaro já eleito para a presidência da República, ele poderia não fazer as investigações por pressões políticas, já que seria ministro dele, e pelo desejo de ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, e se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos?”, teria escrito Deltan após compartilhar uma reportagem do UOL sobre o envolvimento de Flávio com repasses feitos de seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “É óbvio o que aconteceu… E agora, José? Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?”, teria questionado o procurador.

“Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?”, continuou, logo antes de começar a pensar, pedindo o auxílio de outros procuradores, em maneiras de responder à possíveis entrevistas com veículos de imprensa sobre o caso.

Segundo o The Intercept Brasil, em 29 de janeiro deste ano, Deltan voltou a conversar com os procuradores sobre um pedido de entrevista do programa Fantástico. Ele teria ficado com receio de aceitar o convite por medo de ser perguntado sobre Flávio. “Pessoal, temos um pedido de entrevista do Fantástico sobre foro privilegiado. O caso central é bom, envolvendo o Paulo Pimenta, se isso for verdade rs. O risco é eles decidirem no fim focar no Flávio Bolsonaro usarem nossas falas nesse outro contexto. A questão é se é conveniente darmos entrevista para essa reportagem ou não”, teria escrito.