Temer volta a dizer que seu governo não tem intenção de interferir na Lava Jato

  • Por Estadão Conteúdo
  • 01/06/2016 11h44
Brasília - DF, 01/06/2016. Presidente Interino Michel Temer durante cerimônia de posse de Maria Silvia Bastos Marques, no cargo de Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos senhores Paulo Rogério Caffarelli, no cargo de Presidente do Banco do Brasil, Gilberto Occhi, no cargo de Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Parente, no cargo de Presidente da Petrobras e Ernesto Lozardo, no cargo de Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foto: Beto Barata/PRTemer cerimônia 2

O presidente em exercício Michel Temer afirmou, em cerimônia desta quarta-feira (1), ao dar posse para presidentes de bancos públicos e estatais, que a escolha dos executivos visa dar transparência e atender aos anseios da sociedade brasileira e fez questão de frisar que seu governo não tem a intenção de interferir na Operação Lava Jato. 

“Eu quero revelar, pela enésima vez, que ninguém vai interferir na chamada Lava Jato”, disse. “Eu tomo a liberdade, sem nenhum deboche, de dizer pela enésima vez, não haverá a menor possibilidade de interferir na Lava Jato”, disse.

O presidente pontuou que não queria falar “em herança de nenhuma espécie” e que apenas revela a verdade dos fatos para que “eventuais oportunistas” não venham atribuir ao seu governo erros do passado. “Precisamos modificar esses hábitos que se instalaram como se o passado fosse responsável por tudo”, ponderou. 

Segundo ele, esses “eventuais oportunistas”, já falam que, em apenas 19 dias de governo, ele é o responsável pelos 11 milhões de desempregados. “Percebem?”, indagou à plateia, formada por executivos. Temer disse ainda, no início de seu discurso, que, apesar do pouco tempo no cargo, “a impressão” que ele tem é que já se passaram 3 ou 4 anos. 

Ao agradecer Pedro Parente, por assumir o comando da Petrobras, o peemedebista destacou que a estatal “é o melhor exemplo da situação difícil que enfrentamos”. “A empresa que já foi motivo de orgulho foi vitimada por práticas que a desmerecem e empresas dessa importância devem ser cuidadas e valorizadas”, confirma. “Parente, que você faça que voltemos a ter orgulho da Petrobras”, pediu.

O presidente em exercício pediu aos executivos para trabalharem “duro e ter o interesse público no horizonte”. “Preservar ética e transparência de decisões em todas as gestões, estar em sintonia com anseios da sociedade”, além de  “Serem intransigentes com tudo que se afasta da legalidade.” 

Temer destacou ainda que os escolhidos são pessoas capacitadas tecnicamente e que suas decisões visam construir um estado eficiente. 

“Não existe no Brasil espaço para Estado inchado e ineficiente”, cravou. Ao citar o lema de seu governo “ordem e progresso”, Temer pontuou que o Estado precisa oferecer oportunidades para o progresso e empreendedorismo e ser pautado na ideia da ordem. 

De acordo com o político, apenas com um Estado eficiente é que as conquistas sociais podem realmente ser duradouras. “O Estado que queremos não é grande nem pequeno, não é máximo nem mínimo, é eficiente e suficiente” vinca. 

Além de Parente, tomaram posse, durante a solenidade, o ex-ministro Gilberto Occhi na Caixa Econômica Federal, Maria Silva Bastos Marques no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Caffarelli no Banco do Brasil e Ernesto Lozardo, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Ao elogiar os executivos, Temer afirmou que Maria Silva à frente do BNDES lhe dá “enorme tranquilidade”, frisando a trajetória dos outros nomeados e confiando que cada um “possa dar o melhor para essa etapa decisiva da vida nacional”. 

Crise

Temer usou seu tempo para fazer um balanço dos primeiros dias do seu governo interino e ressaltar o “cenário” em que encontrou o País depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff, “herdei um País já mergulhado em uma das grandes crises de sua história. Problemas ocasionados por erros comprometeram a governabilidade e a qualidade de nossa gente”, discursou. Em seguida, citou que o desemprego já atinge mais de 11 milhões de pessoas e que a inflação ainda inspira vigilância, lembrando que o déficit fiscal, estimado em R$ 96 bilhões pelo governo anterior, foi revisto pela equipe do ministro Henrique Meirelles e já ultrapassou a marca de R$ 170 bilhões.