Com votos do PT, Cauê Macris é reeleito presidente da Assembleia de SP

  • Por Jovem Pan
  • 15/03/2019 17h01
ReproduçãoDeputado está no terceiro mandato na Alesp

Nem o percentual de renovação de mais da metade das cadeiras impediu que a velha política triunfasse na eleição para o comando da maior e mais cara Assembleia Legislativa do país. Cauê Macris, do PSDB, partido do governador João Doria, foi reeleito com folga. Para seguir no posto, o tucano conseguiu reunir o apoio de praticamente todos os partidos — especialmente do PT, que ficará com a mais importante secretaria da Casa.

A votação terminou por volta das 17h15. Ao todo, Cauê Macris teve 70 votos. Principal opositora, Janaína Paschoal (PSL) teve 16 votos. Correndo por fora, Daniel José (Novo) e Mônica da Bancada Ativista (PSOL) tiveram quatro fotos cada um.

A vitória representa a manutenção do tucanato no parlamento, ciclo iniciado há 24 anos e só interrompido entre 2005 e 2007, Rodrigo Garcia (então no PFL) venceu Edson Aparecido (PSDB). Atualmente no DEM, Garcia é vice-governador.

A Alesp iniciou os trabalhos nesta sexta. O parlamento paulista é o último do país a funcionar. Entretanto, isso vai mudar – mas só daqui a oito anos. Na quinta (14), a legislatura anterior aprovou uma proposta de emenda à Constituição estadual que antecipa a posse dos deputados para 1º de fevereiro, mudando norma instituída em 1971.

A Poder Legislativo de São Paulo é o mais caro do Brasil e tem um custo de R$ 1,3 bilhão. Para os mandatos atuais, os parlamentares contarão com menos assessores. O Tribunal de Justiça declarou este mês a inconstitucionalidade de cerca de 1,8 mil cargos e determinou a redução do número de funcionários por gabinete de 32 par 23.

A Casa tem na nova legislatura um índice de reeleição de 45% – apenas 42 dos 94 parlamentares conseguiram se manter nos cargos. Na onda da candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, o PSL emplacou 15 deputados estaduais e lidera a lista das maiores bancadas. O feito é inédito, já que o partido não tinha representantes na Alesp. PT tem a segunda maior bancada (10 deputados), seguido de PSB e PSDB (oito cada).

O deputado

Cauê Macris tem 35 anos e foi eleito pela primeira vez para o cargo de deputado estadual em 2010, tendo assumido no ano seguinte. Na época, ele teve 66,7 mil votos, total que aumentou para 121,7 mil em 2014, mas caiu para 114,7 em outubro do ano passado. Em nenhuma das três oportunidades ele ficou entre os 10 mais votados.

No legislativo estadual, ele tem atuação específica em cinco áreas: segurança, educação, meio ambiente, terceira idade e defesa dos animais. No primeiro mandato, foi autor de projeto de lei que, sancionado, multa e fecha comércios que venderem bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes. Macris também foi relator do orçamento.

O tucano chegou à presidência da Alesp pela primeira vez em 2017, com 88 dos 94 votos possíveis, defendendo mais inovação, austeridade e transparência. Esses três tópicos foram a base para críticas de outros candidatos na disputa deste ano: opositores o acusaram de ser submisso ao governador João Doria (PSDB) e ser pouco transparente.

As denúncias

Em fevereiro, uma reportagem revelou que Cauê Macris havia repassado R$ 266 mil destinados inicialmente a campanha eleitoral do ano passado para um posto de gasolina do qual é sócio na cidade de Limeira, no interior paulista. Dos R$ 751,3 mil recebidos pelo tucano, R$ 195 mil foram do fundo eleitoral, constituído por dinheiro público.

Extratos bancários anexados à prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 235 cheques emitidos pela campanha do deputado por meio de duas contas eleitorais abertas no Banco do Brasil foram compensados pela empresa Posto União, na conta que ela possui em uma agência do Bradesco em Americana.

Americana é a cidade onde o tucano iniciou a carreira política, como vereador, e concentra reduto eleitoral. A empresa foi aberta com o empresário Thiago de Freitas Akim em setembro de 2012. O posto fica fica no quilômetro 134 da Rodovia Anhanguera. Em declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral, o deputado declara ter 50% da sociedade.

Também em fevereiro, registros do TSE apontam que nove funcionários da Assembleia Legislativa doaram, juntos, R$ 103,5 mil para a campanha de reeleição de Cauê Macris em outubro passado. As doações foram feitas por assessores, diretores e até pelo secretário-geral de administração da Alesp. Seis delas aconteceram no mesmo dia.

Três dos funcionários doaram R$20 mil cada um, valores superiores aos vencimentos deles no parlamento. Os valores doados pelos servidores superam inclusive o doado pelo próprio Macris na campanha: somente R$ 1,8 mil. Na época, o deputado afirmou que as acusações eram tentativa de “criar factoide político com uma denúncia caluniosa”.