Incerteza eleitoral faz dólar disparar e moeda fecha a R$ 4,196

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2018 17h37
Fotos PúblicasO índice desta quinta superou a maior máxima registrada, que era de R$ 4,166, no dia 21 de janeiro de 2016.

O dólar subiu 1,17% e fechou a quinta-feira, 13, com o maior valor do Plano Real, em R$ 4,1998. Preocupações com as eleições seguiram ditando o ritmo das cotações no mercado de câmbio e o real se descolou de outras moedas de países emergentes, que hoje subiram ante a divisa americana. A Argentina foi outra exceção e o dólar chegou muito perto de 40 pesos, o que também contribuiu para o clima de maior nervosismo por aqui. No mercado futuro, o dólar para outubro fechou R$ 4,2140, sinalizando que a moeda pode testar esse novo patamar.

Até hoje, a maior cotação do Plano Real, implementado em 1994, havia sido atingida em 21 de janeiro de 2016, de R$ 4,1705, refletindo uma decisão inesperada do Banco Central de manter a taxa Selic inalterada, quando todo o mercado esperava uma alta de 0,25 ponto porcentual. O BC seguiu fora do mercado hoje, sem ofertar novos recursos, fazendo apenas a rolagem de contratos de swap. A última atuação da autoridade monetária foi dia 31 de agosto, quando realizou leilões de linha com compromisso de recompra.

Incerteza eleitoral

Os juros futuros fecharam em alta, nas máximas, influenciados pelas incertezas do cenário eleitoral e pela pressão no câmbio, na contramão do quadro relativamente calmo nesta quinta-feira, 13, no exterior. As dúvidas sobre a recuperação das condições físicas do candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, a tempo de retomar a campanha, pesaram sobre os ativos domésticos, imprimindo viés de alta às taxas.

Na reta final da sessão regular, os DIs ampliaram o avanço e bateram máximas, após notícia sobre supostos repasses de caixa 2 para a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) durante as eleições de 2014, ao mesmo tempo em que dólar se aproximava dos R$ 4,20.

Os principais contratos fecharam com taxas todas nas máximas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a 8,66%, de 8,476% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 em 10,00%, de 9,776% no ajuste anterior.

A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 11,575% para 11,74%, e a do DI para janeiro de 2025, de 12,384% para 12,50%.

Bolsonaro, que foi esfaqueado na semana passada durante campanha de rua em Juiz de Fora (MG), passou na noite de quarta-feira por uma cirurgia de emergência para retirar aderências do intestino e liberar ponto de obstrução. Segundo boletim médico da manhã desta quinta, ele evoluiu bem após a cirurgia, “sem intercorrências”.

As dúvidas vão desde os rumos da campanha durante o período de recuperação, que agora pode se estender para além do primeiro turno, a até mesmo a necessidade de uma eventual substituição da cabeça de chapa por outro nome do partido.

Bolsonaro, que cresceu nas intenções de voto captadas pela pesquisa Ibope após o atentado, é visto agora como uma opção ao risco de vitória de um candidato de esquerda na eleição, uma vez que Alckmin, o preferido dos investidores, não consegue evoluir na preferência do eleitorado.

Para piorar, no fim da sessão, as taxas reagiram negativamente à notícia de que diálogos obtidos pela Polícia Federal entre funcionários de uma transportadora de valores usada pela Odebrecht citam supostas entregas de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo na casa de um ex-assessor do governo Alckmin durante as eleições de 2014.