Menos da metade dos brasileiros consegue levantar dinheiro para situações de emergência

  • Por Jovem Pan
  • 19/11/2018 14h38
PixabayNo ano passados, 32% das pessoas com mais de 15 anos conseguiram juntar qualquer quantia de dinheiro no Brasil

Apenas 46% dos brasileiros declaram ter condições de levantar recursos para dar conta de despesas em uma situação de emergência. Esse percentual representa o número de pessoas que se julgaram capazes de conseguir ao menos R$ 1.520 em caso de imprevisto. Referentes ao ano passado, os dados são de relatório do Banco Central.

As informações são um recorte da pesquisa Global Findex, do Banco Mundial. No estudo, pessoas de diversos países responderam se, em situação de emergência, conseguiriam arrecadar no mínimo 5% da renda nacional bruta per capita em moeda local no mês seguinte ao problema. No Brasil, o valor representaria R$ 1.520.

Em relação a 2014, quando o índice era de 35%, o País melhorou. Entretanto, ainda está abaixo da média mundial – de 54% em universo de 144 economias. Na lista, países como Burkina Faso (57%) e Bangladesh (64%) tem posição melhor que o Brasil. Entre os países de alta renda individual, 74% da população atingiria a renda mínima.

Situação preocupante

O quadro brasileiro piora quando a fonte do dinheiro é avaliada. Entre os que se consideram capazes de levantar recursos em emergências, 42% disseram ser possível fazer isso por meio de empréstimos com familiares ou amigos, mas apenas 14% recorreriam a recursos poupados ao longo do tempo.

Para o professor do Insper Ricardo Rocha, os dados refletem “excesso de confiança em relação a imprevistos, algo característico da sociedade brasileira. Pessoas de baixa renda têm mais dificuldade em poupar, mas o problema não se limita a essa classe.

“É um padrão, seja entre quem ganha menos, seja entre quem ganha mais. É como vemos no Estado brasileiro, que não tem nenhuma capacidade de poupança”, compara. “É preocupante”, avalia. O Banco Mundial indica que, em 2017, apenas 32% dos brasileiros com mais de 15 anos guardaram dinheiro, seja qualquer quantia. A média global é de 48%.

O Banco Central do Brasil reconheceu, no Relatório de Cidadania Financeira, divulgado na semana passada, que o valor da renda deve ser levado em consideração, mas ressalta que ele não é determinante para que os cidadãos deixem de poupar. Questões ligadas à cultura, à educação e à comunicação também importam.

Cultura

O educador financeiro Mauro Calil afirma que falta ao brasileiro “poupança, organização financeira e cultura para poupar”. Ele é autor do livro “Separe uma verba para ser feliz”. “O valor de R$ 1.520 equivale a um salário mínimo e meio. É muito pouco. Estamos falando de R$ 127 poupados em 12 meses”, pontuou.

Segundo ele, boa parte dos brasileiros poderia formar esse colchão de emergência apenas usando o 13º salário, mas o dinheiro muitas vezes é direcionado apenas ao consumo. “Falo sempre: você se lembra quando ganhava metade do que ganha hoje e dizia que, se ganhasse o dobro, seria rico? Pois é. Hoje você ganha o dobro”, exemplifica. “O que acontece é que você estica o elástico do consumo.”

*Com informações do Estadão Conteúdo