Para Marcelo Ramos, redução do IPI estudada por Bolsonaro quebra Zona Franca de Manaus

  • Por Renato Barcellos
  • 17/06/2019 20h47
DivulgaçãoO deputado Marcelo Ramos (PL-AM) criticou o projeto estudado pelo Ministério da Economia

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) reagiu, nesta segunda-feira (17), ao anúncio da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) de 16% para 4%, estudada pelo Ministério da Economia, sobre a importação de produtos de tecnologia da informação, como computadores e aparelhos celulares.

De acordo com Ramos, essa medida não terá reflexos apenas na Zona Franca de Manaus. “Soa como uma afronta a toda indústria nacional e aos empregos por ela gerados. Falamos de um estado em que para produzir, se tem de enfrentar uma burocracia absurda, um manicômio tributário e um caos logístico. Já sobre esse chamado custo Brasil, nenhuma palavra do presidente da República nem do ministro da Economia”, disse o deputado.

Marcelo Ramos avalia que os empreendedores e industrias que querem “investir no país, gerar riqueza, distribuir renda e transferir tecnologia” recebem como resposta do governo uma abertura descontrolada do mercado interno brasileiro.

“Primeiro, o ministro Paulo Guedes tem de fazer o dever de casa. Melhorar o ambiente de negócios e oferecer ao industrial nacional regras de negócios como na China, na União Europeia e nos Estados Unidos ou do Paraguai”, avaliou o parlamentar.

O deputado considera grave esse modelo proposto, “no qual empresários que desfrutam de ambientes de negócios sadios invadem o mercado brasileiro”.

“Nossa indústria já conta com um sistema tributário ruim e de muita insegurança jurídica. Mais grave é o argumento usado, o de baratear o custo dos celulares e dos computadores quando não há nenhuma relação técnica de barateamento do produto ao consumidor. E mais: de que adiantaria baratear produtos mas perdendo postos de trabalho?”, questionou.

Ainda segundo Ramos, nenhuma indústria se sustenta eternamente em barreiras tributárias.

No entanto, também de acordo com o deputado, qualquer abertura da economia deve ser gradual, e coordenada com a redução do custo Brasil e Amazonas, e não como está sendo feita, sem planejamento e aviso prévio aos industriais brasileiros, o que gera ainda mais instabilidade e reprime investimentos.