Quais os impactos da escalada do dólar para o Brasil?

  • Por Matheus Collaço / Jovem Pan
  • 15/05/2018 18h05
Marcello Casal Jr/Agência BrasilImpactos da alta do dólar no Brasil e os próximos movimentos do Banco Central para conter essa escalada

Dia após dia, alta após alta, o dólar bate recordes e alcança novos patamares que mesmo os analistas não imaginavam ser possível em tão pouco tempo. Nesta terça-feira (15), a moeda norte-americana registrou mais um aumento em seu comparativo com o real, fechando o dia cotado a R$ 3,6617. Com isso, duas questões primordiais surgem: até onde esta alta pode chegar e quais os impactos no Brasil?

“O dólar comercial, na verdade, já passou das previsões que tínhamos no início do ano, inclusive da faixa dos R$ 3,60, que se imaginava ser o limite atualmente. Tudo isso aconteceu muito rápido. Com as eleições, fala-se na possibilidade de chegar a R$ 3,75 e até R$ 4,00 por causa de todas as incertezas”, afirmou Denise Campos de Toledo, comentarista de economia da Jovem Pan.

Segundo Denise, são muito os questionamentos: quem vai ser candidato? Quem pode ir para o segundo turno? Qual será o programa econômico? Para ela, esse é um grande ponto de incerteza por não se tratar apenas de uma questão política, mas também econômica.

“A economia brasileira tem demonstrado fragilidades na retomada do crescimento. Se não tivermos uma política responsável, de reestruturação, que cuide com mais atenção especialmente de finanças públicas, o Brasil pode ter dificuldades semelhantes as que a Argentina enfrenta hoje”, apontou.

Apesar da comparação, ela ressaltou que os dois países enfrentam problemas diferentes, uma vez que as reservas cambiais da Argentina são muito baixas, insuficientes para os compromissos internacionais. No Brasil, o Banco Central teria maiores condições de atuar no mercado, ofertando a moeda caso exista a necessidade de dar “frear” a alta do dólar.

Problemas para o Brasil

Caso o cenário se mantenha, com um aumento da pressão por parte da moeda norte-americana, o Brasil poderia sofrer com diversos problemas, como a perda de investimentos, o endividamento do Governo e até um impacto maior na inflação. Para a especialista, isso pode mexer com a credibilidade do País: “essa subida muito brusca cria um clima de incerteza. Existe todo um movimento global que tem pressionado o dólar, que pode ser estimulado ou reforçado por esse ambiente que nós temos no Brasil, e aí o dólar chegaria a esse nível mais alto”.

Ações do Banco Central

Para combater a série de altas da moeda estrangeira, o BC tem feito interferências esporádicas no mercado. A expectativa era frear a subida do dólar, mas o cenário nacional e internacional acabou fazendo com que as ações não surtissem efeito, o que pode acabar sendo negativo para a própria instituição, explicou Denise.

Para ela, uma eventual “queda de braço” entre o Banco Central e o mercado poderia ter um efeito reverso, aumentando ainda mais a pressão do dólar. O ideal, de acordo com a comentarista, são ações pontuais, para mostrar que está acompanhando a movimentação e não deixará que a situação saia do controle.

“Pontualmente, quando tem um momento de estresse, o BC pode tentar ‘dar uma esfriada’ e acabar com  a pressão de curto prazo. Dificilmente vai entrar em uma queda de braço. Não dá certo. Ele perde a munição que tem e não consegue muito resultado. Por outro lado, pode passar alguns recados mais pesados para o mercado financeiro, pois tem instrumentos e mecanismos para isso. Agora, quando a pressão vem forte, é muito difícil conter”, finalizou.