IBGE: todas atividades do varejo perdem ritmo com greve dos caminhoneiros

  • Por Estadão Conteúdo
  • 12/07/2018 10h44
Fernando Frazão/Agência BRasilAs quedas nas vendas de combustíveis (-6,1%) e de móveis e eletrodomésticos (-2,7%) puxaram a perda no varejo em maio ante abril

A paralisação dos caminhoneiros durante 11 dias no fim de maio fez todas as atividades do varejo ampliado mostrarem perda de ritmo em relação a abril, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta quinta-feira, 12 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O único segmento a registrar expansão nas vendas foi o de supermercados, com avanço de 0,6%, menor do que o de 1,0% apurado em abril, impedindo uma perda ainda maior no varejo no período, observou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Embora o setor tenha sentido o desabastecimento de alimentos in natura, os estoques de não perecíveis permaneceram preservados.

“(Produtos de) supermercados são itens de primeira necessidade. É claro que o choque de oferta que aconteceu tem impacto nos preços. E o próprio período da greve, longa, de negociação difícil, causou alguma apreensão na população. Muitas pessoas foram ao supermercado para abastecer (estocar alimentos). Os produtos não perecíveis têm estoque renovado de 15 em 15 dias. Então não teve impacto no mês de maio”, justificou Isabella.

Na passagem de abril para maio, as vendas no varejo caíram 0,6%. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a perda foi de 4,9%, o pior desempenho desde setembro de 2012 (-9,6%) e a queda mais intensa para meses de maio de toda a série histórica, iniciada em 2004.

As quedas nas vendas de combustíveis (-6,1%) e de móveis e eletrodomésticos (-2,7%) puxaram a perda no varejo em maio ante abril. As demais reduções ocorreram em livros, jornais e revistas (-6,7%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,2%), artigos farmacêuticos e perfumaria (-2,4%) e tecidos, vestuário e calçados (-3,2%). O segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico ficou estável (0,0%) no mês.

No varejo ampliado, o volume vendido por material de construção caiu 4,3%, enquanto veículos e motos, partes e peças despencaram 14,6%, a mais intensa queda desde abril de 2010 (-16,2%).

“O resultado em relação a abril mostra disseminação de quedas”, avalia Isabella. “A perda generalizada corrobora a ideia de que foi um evento que impactou toda a atividade, trouxe menor ritmo para todas as atividades”, completou a gerente.

Paralisação pode afetar números de junho

A greve dos caminhoneiros pode ter efeito sobre as vendas do varejo também em junho, contou também Isabella Nunes.

As vendas do varejo recuaram 0,6% na passagem de abril para maio No varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e material de construção, o recuo foi de 4,9%.

“Não se pode imaginar que logo no começo de junho todo o comércio seja abastecido. Mas isso é informação que a gente vai coletar no mês de junho”, frisou Isabella. “A greve trouxe um choque de oferta, que para se normalizar leva um tempo”, completou.

Segundo a pesquisadora, a conjuntura para o varejo não muda de forma relevante de abril para maio. A greve foi um evento pontual, embora tenha surtido um efeito forte sobre o desempenho de maio, disse ela.

“O varejo ampliado, que inclui a demanda das empresas, sentiu mais (os efeitos da greve)”, apontou Isabella.

Com as perdas de maio, as vendas do comércio varejista estão 7,1% abaixo do pico registrado em outubro de 2014. No varejo ampliado, o volume vendido está 16,0% aquém do ápice alcançado em agosto de 2012.

A situação é mais aguda no segmento de veículos, em que as vendas estão 41,9% abaixo do patamar recorde alcançado em junho de 2012. No caso dos combustíveis, o volume vendido está 24,6% inferior ao auge alcançado em fevereiro de 2014.